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Rui Leitão

RESISTÊNCIA, GUERRILHA E A REPRESSÃO


Durante o regime militar, surgiram organizações que optaram pela luta armada como forma de resistência à ditadura. Suas ações incluíram assaltos a bancos, destinados principalmente à obtenção de recursos para financiar suas atividades clandestinas, e sequestros de diplomatas e outras figuras públicas, utilizados como instrumento de pressão para exigir a libertação de presos políticos. Entre as organizações que se tornaram mais conhecidas estavam o MR-8 — Movimento Revolucionário 8 de Outubro — e a ALN — Aliança Libertadora Nacional.

Essas organizações surgiram na segunda metade da década de 1960, em um dos períodos mais sombrios da resistência à ditadura militar brasileira. Ambas tiveram origem em dissidências do Partido Comunista Brasileiro (PCB), embora seguissem trajetórias e formulações políticas próprias. Atuavam na clandestinidade e tinham como perspectiva não apenas derrubar a ditadura, mas também promover profundas transformações políticas, econômicas e sociais no país.

.Em 1966, um grupo de militantes do PCB, formado majoritariamente por estudantes, afastou-se do partido em razão das divergências em torno da estratégia de enfrentamento à ditadura. Enquanto a direção do PCB defendia uma política que privilegiava a atuação política e a construção de uma frente ampla pela redemocratização, os dissidentes passaram a defender a luta armada como caminho para combater o regime.

Esse grupo ficou conhecido inicialmente como Dissidência da Guanabara, ou DI-GB. Após a morte de Ernesto “Che” Guevara, capturado e executado na Bolívia em 9 de outubro de 1967, a organização passou a utilizar a denominação MR-8, em referência ao dia anterior, 8 de outubro, data da captura do guerrilheiro argentino-cubano. A escolha do nome também expressava a influência que a Revolução Cubana exercia sobre setores da esquerda revolucionária latino-americana.

A ALN — Aliança Libertadora Nacional — surgiu em 1967, sob a liderança de Carlos Marighella, depois de seu rompimento com o PCB. Tornou-se uma das principais organizações da esquerda armada brasileira e conseguiu reunir um número expressivo de militantes. Marighella formulou parte importante da estratégia da organização e escreveu o Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, texto que apresentava orientações para a atuação clandestina e a prática da guerrilha urbana, incluindo ações violentas como parte da estratégia revolucionária.

A luta armada brasileira recebeu influência de experiências revolucionárias ocorridas em outros países, especialmente da Revolução Cubana e, em diferentes graus, da Revolução Chinesa. Essas experiências contribuíram para a formulação das estratégias adotadas pelas organizações clandestinas, que acreditavam ser possível criar, no Brasil, condições para uma insurreição popular capaz de derrubar a ditadura e produzir uma transformação revolucionária da sociedade.

Conhecer a história da luta armada, portanto, não significa fazer sua apologia nem justificar seus métodos. Significa compreender as razões que levaram parte da oposição à ditadura a optar pela clandestinidade e pela violência, assim como compreender a dimensão da repressão que se abateu sobre esses grupos. Só assim será possível preservar a memória daquele período e evitar que as experiências dos anos de chumbo sejam distorcidas ou esquecidas.

Rui Leitão

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