COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Francisca Moura, mãe e professora

A foto que ilustra a matéria foi utilizada na tese já citada da professora Maíra Lewtchuk Espindola.

Sérgio Botelho – Em 15 de junho de 1884, o jornal Diário da Paraíba publicava o anúncio de cerimônias fúnebres” em “sufraggio a alma do capitão Misael Augusto do Rego Moura”, na igreja matriz da capital, a hoje Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves.
O capitão deixava viúva Francisca das Neves Rodrigues Chaves Moura, uma jovem então com 28 anos, nascida em 1860, que, a partir dali, teria de enfrentar a dura realidade de uma época extremamente difícil para as mulheres, até para estudar.
Além disso, herdara do casamento uma filha, Catharina Moura, que, acompanhando os passos da mãe, haveria também de se tornar uma personalidade feminina de destaque na história da cidade da Parahyba, hoje João Pessoa.
Em 1894, 10 anos após a viuvez, Francisca Moura concluía o curso da Escola Normal. Em 1897, já se tornava docente da escola de professores, profissão que exerceu até a sua morte em 1942, com amplo reconhecimento público.
A professora Maíra Lewtchuk Espindola, do Departamento de Educação da UFPB, em sua tese de Doutorado As Experiências dos Intelectuais no Processo de Escolarização Primária na Parahyba (1824-1922), inclui um capítulo bastante denso sobre a professora Francisca Moura.
Além de ensinar na Escola Normal, Francisca Moura criou um curso com o seu nome, voltado para as primeiras letras e a instrução secundária, que chegou a ter 150 alunos. À noite, instituiu o curso Dom Ulrico apenas para pessoas pobres. Um marco.
Francisca Moura escreveu dois livros: Pontos de Português e Compêndio para o Ensino Primário de Geografia. Ela faleceu em 2 de fevereiro de 1942. Hoje é nome de importante rua no Centro de João Pessoa e de uma escola municipal em Mandacaru.

Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista

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