POLÍTICA

Luiz Couto cobra investigação rigorosa sobre crime organizado, sistema financeiro e relações políticas


Em discurso realizado nesta quarta-feira (20), na Câmara dos Deputados, o deputado federal Luiz Couto (PT-PB) afirmou que o Brasil vive um dos momentos mais delicados no enfrentamento ao crime organizado e defendeu investigações profundas sobre a infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro, na política e em setores empresariais.

O parlamentar criticou o que classificou como “uso político” do tema da criminalidade por setores da extrema direita e afirmou que o combate ao crime organizado deve alcançar também estruturas financeiras e agentes de “colarinho branco”.
Segundo Couto, “o crime organizado moderno não vive apenas do fuzil. Vive também da planilha, da holding, do fundo financeiro, da offshore e dos sofisticados mecanismos de lavagem de dinheiro”.
Durante o pronunciamento, o deputado destacou ações do Governo Federal no combate às facções criminosas, mencionando o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, anunciado com previsão de investimento de R$ 11,1 bilhões em inteligência, integração federativa e repressão financeira ao crime.

O parlamentar também elogiou operações recentes da Polícia Federal voltadas ao combate ao tráfico, lavagem de dinheiro e atuação de facções criminosas em diferentes estados do país.

Caso Banco Master e Daniel Vorcaro
Grande parte do discurso foi dedicada às investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Segundo Couto, informações divulgadas pela imprensa e por investigações em andamento apontam suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e possíveis conexões com esquemas de lavagem de dinheiro e organizações criminosas.

O deputado citou declarações feitas no Senado Federal durante a CPI do Crime Organizado, nas quais o gestor Vladimir Timerman teria afirmado que Vorcaro seria “pau-mandado” de supostos controladores ocultos do banco.

Couto afirmou ainda que reportagens recentes indicam que empresas ligadas ao empresário teriam realizado movimentações financeiras investigadas por possíveis vínculos com facções criminosas, incluindo o PCC e grupos mafiosos internacionais.
Flávio Bolsonaro citado
No discurso, Luiz Couto mencionou reportagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo o deputado, matérias jornalísticas relataram tratativas para captação de recursos destinados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar ressaltou que não fazia acusações antecipadas, mas defendeu a necessidade de investigação sobre eventuais relações financeiras entre agentes políticos e empresários sob investigação.
“O ponto central não é condenação antecipada. O ponto central é exigir investigação”, declarou.
Defesa de investigação ampla
Ao longo do pronunciamento, Luiz Couto defendeu o fortalecimento das instituições de controle e fiscalização, incluindo a Polícia Federal, Ministério Público, COAF, Banco Central e Receita Federal.

O deputado afirmou que o enfrentamento ao crime organizado exige rastreamento financeiro, cooperação institucional e rigor investigativo “sem seletividade política”.
“A lei tem que valer para todos. Para o pobre e para o rico. Para a esquerda e para a direita”, afirmou.

O parlamentar também criticou o que chamou de “hipocrisia” no tratamento dado a crimes financeiros e defendeu que o país amplie mecanismos de combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado em estruturas econômicas e políticas.

Encerrando o discurso, Luiz Couto declarou que o Brasil precisa “seguir o dinheiro” para combater o crime organizado e afirmou que o Estado deve agir “da periferia à Faria Lima, do beco ao banco, da milícia à máfia, da facção ao gabinete”.

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