COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS –  A pretendida intervenção federal na Paraíba em 1930

Sérgio Botelho – O jornal A União, de 20 de maio de 1930, reproduz telegrama assinado por representantes empresariais de Campina Grande, que condenava possível intervenção federal no estado.
Dirigida aos presidentes da República, do Senado Federal e da Câmara Federal, a mensagem telegráfica enfatizava que “o governo do eminente presidente do Estado vem garantindo a normalidade da vida na Parahyba, assegurando as garantias constitucionais sem distinção de cores partidárias, sendo a intervenção desnecessária e apenas desejada por elementos que almejam prosperar à sombra do sacrifício desta unidade da Federação…”.
O despacho telegráfico acentuava que a única “exceção à paz no território do estado era do território de Princesa, perturbada pelo movimento armado oriundo de ambições facciosas dos partidários da oposição no estado”.
Os empresários se reportavam ao que ficou conhecido perante a história como Revolta de Princesa, liderada pelo coronel José Pereira Lima contra o governo de João Pessoa. O conflito começara em fevereiro de 1930, no contexto das disputas internas do Partido Republicano da Paraíba, da candidatura de João Pessoa a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas e de tensões provocadas pelas reformas administrativas e fiscais do governo estadual.
A pretendida intervenção federal, que chegou mesmo a ser cogitada pelo governo de Washington Luiz, nunca aconteceu, porque em 26 de julho de 1930 o advogado João Dantas assassinou, em Recife, o presidente paraibano João Pessoa, por motivos sobretudo pessoais.
O ato de João Dantas, integrante de uma família adversária política da vítima, permitiu que o campo governista vinculasse o assassinato à oposição. Nesse formato, o episódio acabaria provocando, em agosto seguinte, a derrota da Revolta de Princesa, em outubro, a deposição do presidente Washington Luiz e, em 3 de novembro, a posse de Getúlio Vargas, mudando a história do Brasil.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, para as redes sociais.

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