Cansaço de Lula?
Ouvi alguém dizer: “Estou cansado do Lula.”
Pois eu estou cansado de outras coisas.
Estou cansado de um Brasil que ainda convive com uma desigualdade social que deveria envergonhar qualquer patriota de verdade. Cansado de ver políticos que, em vez de pensar no país, frequentemente parece mais preocupados em preservar seus próprios privilégios.
Estou cansado da corrupção, da mentira política, do discurso fácil, do desprezo pelas causas populares e, principalmente, da velha mania de tratar o pobre como cidadão de segunda classe, alguém lembrado na época da eleição e esquecido quando chega a hora de repartir oportunidades.
Estou cansado de ouvir gente falar em Deus, Pátria e Família enquanto defende privilégios, despreza os mais pobres e transforma a política em negócio de família.
E há um cansaço ainda maior: o do falso patriotismo.
Não consigo entender como alguém pode enrolar-se na bandeira brasileira, cantar o Hino Nacional e, ao mesmo tempo, defender a submissão do Brasil aos interesses de uma potência estrangeira. Patriotismo não pode ser uma fantasia usada em comício. Quem ama verdadeiramente o Brasil defende sua soberania, sua democracia e a dignidade de seu povo.
Também estou cansado da tentativa de transformar a República em uma dinastia familiar, como se o Palácio do Planalto pudesse ser tratado como patrimônio hereditário: o pai ocupa o poder, prepara o filho e, depois, passa-lhe o bastão.
Isso não é projeto de país. É projeto de poder.
Por isso, quando alguém me disser que está cansado do Lula, eu respondo:
Eu também estou cansado.
Cansado de desigualdade.
Cansado de privilégios.
Cansado de mentira.
Cansado de submissão.
Cansado de falso patriotismo.
Cansado de política transformada em patrimônio familiar.
Mas, acima de tudo, estou cansado de ver brasileiros sendo convencidos de que o maior problema do país é um político, enquanto tentam esconder os problemas que realmente atravessam gerações.
O meu compromisso não é com a perpetuação de ninguém no poder. É com um Brasil soberano, democrático e socialmente justo.
Porque a bandeira brasileira não pertence a uma família, a um partido ou a uma ideologia.
O Brasil é dos brasileiros.
Rui Leitão

