Um Brasil de Milei, Bukele e Venezuela?
A política econômica inspirada no modelo de Javier Milei, da Argentina. A segurança pública com base no padrão de Nayib Bukele, de El Salvador. E, nas relações com os Estados Unidos, a adoção de uma fórmula semelhante àquela experimentada pela Venezuela.
Qual candidato a presidente da República apresenta essas propostas e o que significam, na prática, essas referências?
Na Argentina, Javier Milei assumiu o governo prometendo uma profunda transformação econômica apoiada em forte ajuste fiscal, corte acentuado de gastos e diminuição do tamanho do Estado. Embora o equilíbrio fiscal tenha sido colocado no centro da agenda, o resultado visível é uma grave crise econômica e social, marcada pelo desemprego, inflação persistente, perda de direitos trabalhistas e avanço expressivo da pobreza.
Em El Salvador, Nayib Bukele fez da segurança pública sua principal bandeira. O governo decretou estado de exceção, ampliou drasticamente as prisões e construiu o gigantesco Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), projetado para dezenas de milhares de detentos. O modelo alcançou uma queda expressiva nos índices de homicídios, mas tornou-se alvo de severas críticas de organizações internacionais devido à supressão de direitos civis e garantias processuais.
Por fim, há a referência à Venezuela.
Durante anos, o governo venezuelano manteve um confronto direto com Washington, enfrentando sanções severas, isolamento diplomático e desgaste econômico, culminando no bloqueio de ativos petrolíferos e no comprometimento da soberania nacional. Embora o cenário tenha ensaiado mudanças com reaproximações pontuais e negociações diretas envolvendo o setor petrolífero norte-americano, a experiência histórica deixou marcas profundas de dependência e instabilidade externa. Virou uma colônia dos Estados Unidos.
Não se trata de um jogo de adivinhação, mas de uma decisão sobre o futuro da nação. Diante de propostas antagonistas, o eleitor precisará escolher o rumo do país.
É esse o Brasil que queremos construir? Um modelo inspirado em Milei na economia, em Bukele na segurança e na instabilidade diplomática da Venezuela na política externa?
A resposta não estará nas redes sociais nem nos discursos de campanha. Estará na decisão soberana de cada cidadão nas urnas.
Rui Leitão

