colunaRui Leitão

A ALIANÇA PARA O PROGRESSO E O GOLPE DE 1964

A Revolução Cubana, em 1959, despertou grande preocupação nos Estados Unidos diante do avanço soviético na América Latina. Temendo a expansão do socialismo, o governo norte-americano criou, nos anos 1960, a Aliança para o Progresso, apresentada como um programa de desenvolvimento econômico e social, mas que, na verdade, escondia um propósito político: conter o comunismo e reforçar a hegemonia capitalista no continente.

No Brasil, o projeto foi articulado com o apoio de Juscelino Kubitschek, sob coordenação da USAID, que prometia bilhões de dólares em investimentos. A cooperação resultou em reformas educacionais de caráter tecnicista, moldadas ao modelo empresarial norte-americano, através dos acordos MEC-Usaid.

A influência da Aliança para o Progresso foi decisiva na conjuntura que levou ao golpe militar de 1964. Documentos revelam que o embaixador dos EUA no Brasil, Lincoln Gordon, defendeu abertamente o apoio a “golpistas” para impedir que o país “se transformasse na China da década de 1960”. Governadores oposicionistas a João Goulart, como Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Ademar de Barros, foram amplamente beneficiados com recursos do programa.

Pouco antes do golpe, o coordenador da Aliança, Thomas Mann, consolidou a chamada Doutrina Mann, segundo a qual os Estados Unidos apoiariam qualquer governo latino-americano, desde que fosse anticomunista — um claro aval às ditaduras militares que se instalariam na região.

O Regime Militar de 1964, portanto, deve ser entendido não apenas como um episódio interno da política brasileira, mas como parte de um projeto de dominação norte-americana sobre os países periféricos no contexto da Guerra Fria.

Rui Leitão

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