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Crime organizado em aluguel por temporada entra na mira de autoridades

© Silvia Bomm/prefeitura de Balneário Camboriú

Autoridades públicas monitoram se organizações criminosas estão usando o aluguel de imóveis por temporada para ocultar o patrimônio adquirido com práticas ilícitas, como o tráfico de drogas e armas, e, assim, obter uma nova fonte de renda aparentemente legítima.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a maquiagem financeira utilizando a locação temporária por aplicativos desafia os órgãos de fiscalização, operando em um “ponto cego” que permite aos criminosos lavar o dinheiro obtido ilicitamente.

No Rio Grande do Sul, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) investigavam a ação de um grupo suspeito de envolvimento em homicídios, tráfico e extorsão quando identificaram que os suspeitos tinham comprado imóveis no litoral norte do estado e estavam utilizando-os para faturar com o aluguel de curta temporada.

Para aprofundar a apuração, a Polícia Civil deflagrou, em maio de 2025, a chamada Operação Litus, que resultou na denúncia de 16 pessoas. Responsável pela apuração, o delegado Gustavo Bermudes, da Draco de Canoas (RS), explicou que parte dos imóveis que o grupo adquiriu com o dinheiro obtido com atividades criminosas estava registrada em nome da companheira do líder do suposto esquema, parte em nome de “laranjas”.

“A análise de telefones apreendidos no curso da investigação nos possibilitou esta ampliação [da apuração]. Não fosse por isto, dificilmente chegaríamos a esta informação”, disse o delegado.

Ele acrescentou que, ao analisarem o conteúdo dos aparelhos celulares apreendidos, os investigadores identificaram anúncios dos imóveis, mensagens trocadas com os locatários e recibos de valores recebidos.

Para o policial, a constatação reforçou a importância não só da cooperação entre as forças de segurança estaduais e os órgãos federais de fiscalização financeira, como das parcerias com as plataformas digitais.

“Se estabelecêssemos convênios que nos permitissem ter acesso às plataformas, eu poderia cruzar as informações de pessoas sob investigação e de pessoas próximas a elas para, por exemplo, verificar se há algum imóvel anunciado para locação em nome delas”, explicou Gustavo Bermudes.

“E, então, poderíamos verificar quando este imóvel foi comprado e se ele está sendo usado para movimentar valores”, ressaltou o delegado, ao comentar a dificuldade de as plataformas, sozinhas, identificarem quando um imóvel é fruto de práticas criminosas.

“No caso que estávamos investigando, por exemplo, seria praticamente impossível. Até porque o imóvel estava registrado em nome da esposa do investigado e ela não tem antecedentes criminais. Ou seja, em tese, é uma pessoa honesta. Assim como os laranjas”, disse o policial, assegurando que, ao ser comunicada das suspeitas, a plataforma – cujo nome ele não revelou – colaborou com a investigação e removeu o anúncio de locação.

Agência Brasil

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