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Hospital São Vicente de Paulo destaca importância das terapias orais no tratamento do câncer

Avanços da oncologia permitem que parte dos pacientes realize o tratamento em casa, mas especialistas alertam que a escolha depende das características de cada caso

Quando se fala em tratamento contra o câncer, muitas pessoas ainda associam a terapia exclusivamente às medicações administradas pela veia, em hospitais ou clínicas especializadas. No entanto, os avanços da oncologia têm ampliado as opções terapêuticas e possibilitado que alguns pacientes realizem parte do tratamento por meio de medicamentos orais, administrados em casa, com segurança e eficácia.
Apesar da praticidade, especialistas ressaltam que nem todo paciente pode utilizar esse tipo de tratamento e que a escolha da terapia depende de uma série de fatores relacionados ao tumor e às condições clínicas de cada pessoa.
Segundo o oncologista clínico do Hospital São Vicente de Paulo, Dr. Igor Lemos, existe um equívoco comum ao se utilizar o termo “quimioterapia oral” para definir todos os medicamentos administrados por via oral no tratamento do câncer.
“Nem todo tratamento oral é uma quimioterapia. Muitas dessas medicações pertencem a outras classes terapêuticas, como hormonioterapias ou terapias-alvo, que atuam em mecanismos específicos do desenvolvimento do tumor”, explica.
De acordo com o especialista, a indicação do tratamento oral não é uma escolha aleatória, mas resultado de uma avaliação detalhada do paciente e da doença.
“Cada tipo de câncer possui características próprias. Avaliamos o estágio da doença, aspectos histológicos, características moleculares e a presença de determinadas mutações. A partir dessas informações, escolhemos o tratamento mais adequado, que pode ser oral, endovenoso ou por outra via de administração”, afirma.
Tratamento cada vez mais personalizado
A evolução da oncologia tem permitido o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais direcionados às alterações biológicas dos tumores.
Segundo Dr. Igor Lemos, a maioria dos tipos de câncer possui atualmente alguma opção de tratamento oral disponível, mas isso não significa que todos os pacientes terão indicação para utilizá-la.
“A escolha não acontece porque a medicação é mais prática ou mais confortável. O que determina o tratamento é aquilo que oferece o melhor resultado para aquele paciente específico. Em alguns casos, a melhor opção estará em comprimidos. Em outros, será um medicamento administrado pela veia ou até mesmo uma combinação de terapias”, destaca.
O oncologista reforça ainda que a eficácia dos medicamentos orais é comparável à dos tratamentos realizados em ambiente hospitalar.
“Existe uma falsa impressão de que um comprimido seria menos potente do que uma medicação intravenosa. Isso não é verdade. São medicamentos desenvolvidos especificamente para essa forma de administração e com eficácia comprovada cientificamente.”
Comodidade exige responsabilidade
Além de oferecer mais autonomia ao paciente, o tratamento oral pode reduzir deslocamentos frequentes até unidades de saúde. No entanto, o uso correto da medicação é fundamental para garantir os resultados esperados.
A farmacêutica oncológica do Hospital São Vicente de Paulo, Claudiane Queiroz, explica que a adesão adequada ao tratamento é um dos fatores mais importantes para o sucesso terapêutico.
“Muitas dessas medicações precisam ser tomadas diariamente e em horários específicos. Isso ajuda a manter níveis constantes do medicamento no organismo, garantindo sua efetividade”, explica.
Segundo ela, um dos papéis da farmácia oncológica é orientar os pacientes sobre horários, doses, armazenamento correto dos medicamentos e possíveis efeitos adversos.
“Acompanhamos os pacientes desde o início do tratamento, esclarecendo dúvidas e reforçando a importância de seguir rigorosamente as orientações médicas e farmacêuticas”, afirma.
Cuidados com medicamentos, chás e suplementos
Outro alerta importante diz respeito à automedicação e ao uso de produtos naturais sem orientação profissional.
Claudiane Queiroz destaca que muitos medicamentos de uso comum, além de vitaminas, suplementos e chás, podem interferir diretamente na ação dos tratamentos oncológicos.
“Muitas pessoas acreditam que produtos naturais não oferecem riscos, mas isso não é verdade. Alguns chás e suplementos podem prejudicar a absorção ou o funcionamento dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer. Por isso, qualquer produto utilizado deve ser informado à equipe de saúde”, orienta.
A farmacêutica também ressalta que o paciente nunca deve interromper o tratamento por conta própria, mesmo diante de efeitos colaterais.
“Caso surja qualquer sintoma inesperado ou desconforto importante, a orientação é procurar imediatamente a equipe responsável pelo acompanhamento para que a situação seja avaliada adequadamente.”
Estrutura especializada no Hospital São Vicente de Paulo
Atualmente, o Hospital São Vicente de Paulo acompanha cerca de 1.100 pacientes oncológicos por mês e disponibiliza 22 tipos de medicamentos orais para tratamentos oncológicos e hematológicos.
Entre eles estão terapias utilizadas no tratamento de câncer de mama, próstata, pulmão, leucemias, mieloma múltiplo e outras doenças hematológicas.
O serviço de dispensação dos medicamentos funciona de segunda a sexta-feira e conta com acompanhamento multiprofissional, envolvendo médicos, farmacêuticos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais de saúde.
Segundo os especialistas, esse trabalho integrado é fundamental para garantir segurança, adesão ao tratamento e melhores resultados clínicos.
Informação e acompanhamento fazem a diferença
Para o oncologista Dr. Igor Lemos, o principal avanço da oncologia moderna está justamente na personalização dos tratamentos.
“Hoje não tratamos apenas um tipo de câncer. Tratamos uma doença que possui características próprias em cada paciente. Por isso, cada caso exige uma estratégia específica e individualizada.”
Já a farmacêutica Claudiane Queiroz reforça a importância da confiança na equipe de saúde.
“A principal orientação é que o paciente compreenda seu tratamento, mantenha as consultas e exames em dia e nunca tenha receio de esclarecer dúvidas. Informação e acompanhamento adequado são fundamentais para o sucesso terapêutico.”
Em um cenário de constantes avanços científicos, as terapias orais representam mais uma ferramenta importante no combate ao câncer, oferecendo praticidade, eficácia e qualidade de vida para pacientes que possuem indicação para esse tipo de tratamento.

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