PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – A construção da estrada de ferro na Paraíba

Sérgio Botelho – Em 17 de outubro de 1873 tomou posse, pela segunda vez, como presidente da Província da Parahyba, o conservador Silvino Elvídio Carneiro da Cunha, que na penúltima hora do Monarquia receberia o título nobiliárquico de Barão do Abiahy.
Antes disso, havia governado interinamente a província por poucos meses, em 1869, e, na sequência, no exercício regular do cargo, Rio Grande do Norte, Alagoas e Maranhão. Virou notável do Brasil Imperial, mas que rapidamente aderiu à República, após novembro de 1889.
Encontrei na internet, cada vez mais provida de documentos históricos digitalizados, o primeiro relatório entregue por Silvino Elvídio à Assembleia Provincial, onde fustiga antecessores e divulga ações em favor da província. No caso, a construção da estrada de ferro.
Naqueles tempos, o comércio de mercadorias entre as regiões paraibanas era penoso, seja por conta das péssimas estradas e vias diversas ou pelos meios de transporte utilizados.
Com relação à estrada de ferro, diz o relatório datado de 7 de agosto de 1874: “Felizmente já nos achamos nas vésperas de iniciar este importante melhoramento com a estrada—Conde d’Eu—, cuja companhia a esta hora deverá achar-se organizada em Londres”.
Com efeito, em 1875, a empresa The Conde d’Eu Railway Company Limited foi constituída, conforme registra o historiador, professor e membro do IHGP, Josemir Camilo, no trabalho acadêmico A economia paraibana no século XIX e o capital inglês: The Conde D’Eu Railway (1875-1901).
O atrativo pela empreitada vinha de uma concessão outorgada pela Princesa Isabel, em 1871, reforçada por lei provincial de junho de 1872, estabelecendo juros de 7%, sobre um capital máximo de investimento de 5.000:000$000 (cinco mil contos de réis).
Contudo, a decisão da província necessitou de garantia imperial, providenciada em abril de 1874, e ampliada em setembro de 1875. Após atrasos, a primeira linha, ligando a capital a Entroncamento, nas proximidades de Sapé, foi inaugurada em 1881.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.
