Padre Zé: TJ recebe denúncia e torna réus ex-secretários do Estado e mais 14 pessoas
Desembargadores acompanharam, por unanimidade, o voto do relator Márcio Murilo da Cunha Ramos.

Após uma longa sessão, o Tribunal de Justiça da Paraíba recebeu a denúncia apresentada pelo Gaeco, do Ministério Público, em mais um processo ligado ao caso Padre Zé. Com isso, 16 pessoas se tornaram réus. Entre eles, os ex-secretários do Governo do Estado Tibério Limeira e Pollyana Werton.
Todos os desembargadores que votaram acompanharam o voto do relator Márcio Murilo da Cunha Ramos, que durante a sessão resumiu o seu relatório de 127 páginas.
A denúncia relata um suposto esquema de pagamento de propina, classificado como “devoluções”, por parte de empresas que forneciam produtos para as instituições e eram contratadas para fornecer itens para o hospital e refeições para o Programa Prato Cheio.
Com relação aos ex-secretários, a denúncia do Gaeco aponta que Tibério Limeira teria recebido R$50 mil no suposto esquema. Já Pollyana Werton teria sido beneficiada com a cifra de R$70 mil.
O relator defendeu que existem indícios de prova suficientes, incluindo extratos bancários e mensagens em aplicativos, para aceitar a denúncia feita pelo Gaeco.
Os desembargadores não analisaram o mérito da ação, mas a sua admissibilidade. Com a decisão pelo recebimento tem início o processo penal.
Entre os réus, além dos dois ex-secretários, estão o padre Egídio de Carvalho e também representantes das empresas que fariam parte do suposto esquema.
O que disseram as defesas
Durante o julgamento os advogados dos investigados pediram a nulidade do procedimento e o não recebimento da denúncia. Eles alegaram cerceamento de defesa e possíveis vícios no armazenamento de provas.
As defesas também questionaram que a denúncia não tinha a assinatura do procurador geral de justiça, tese refutada pelo relator e demais membros do TJ. Eles lembraram que a legislação possibilita a delegação da atuação do PGJ para grupos especializados do Ministério Público – como é o caso do Gaeco.
Sustentação do MP
O Ministério Público, autor da denúncia, foi representado no julgamento pelo procurador Luís Nicomedes. A denúncia do MP teve como foco a possível existência de uma organização criminosa, formada por três núcleos: administrativo, político e empresarial.
O suposto esquema teria desviado recursos do Programa Prato Cheio, do Governo do Estado, que mantinha termos de colaboração com o Hospital Padre Zé e entidades ligadas a ele para distribuição de refeições em cinco cidades paraibanas.
“Esse Programa Prato Cheio é, ou foi, um prato cheio para quem, de fato, queria desviar recursos”, assinalou o procurador durante a sessão.
Veja a lista completa dos réus
- Amanda Duarte Silva Dantas;
- Andrea Ribeiro Wanderley;
- Carlos Tibério Limeira Santos Fernandes;
- Egidio de Carvalho Neto;
- Fillype Augusto Lima Bezerril;
- Iurikel Souza Marques de Aguiar;
- Jannyne Dantas Miranda e Silva;
- João Diogenes de Andrade Holanda;
- João Ferreira de Oliveira Neto;
- José Lucena da Silva;
- Kildenn Tadeu Morais de Lucena;
- Mariana Ines de Lucena Mamede;
- Maria Cassilva da Silva;
- Sebastiao Nunes de Lucena;
- Sebastiao Nunes de Lucena Junior;
- Yasnaia Pollyanna Werton Dutra.
Texto: Gabriel Abdon



