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Brasil e EUA unem inteligência para asfixiar finanças do crime organizado após encontro histórico entre Lula e Trump

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O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, ocorrido em maio de 2026, consolidou-se como um marco de pragmatismo político que surpreendeu observadores internacionais. O principal ganho político foi a demonstração de que ambos os líderes priorizaram o “realismo econômico” em detrimento de suas conhecidas divergências ideológicas. Para Lula, o saldo positivo residiu em garantir que o Brasil não fosse alvo imediato das políticas protecionistas de Trump, conseguindo a criação de um grupo de trabalho para discutir tarifas comerciais e o déficit entre as nações. Além disso, o reconhecimento de Trump à liderança de Lula conferiu ao brasileiro um selo de interlocutor confiável perante a direita americana, estabilizando as expectativas do mercado financeiro.

Por outro lado, o encontro não foi isento de tensões. O ponto negativo central foi a manutenção da investigação americana sobre o sistema PIX, que os EUA veem como uma barreira competitiva para suas operadoras de cartões. Há também uma “nuvem de incerteza” sobre a questão dos vistos negados a autoridades brasileiras, um tema sensível que ficou pendente de resolução burocrática. A divergência sobre a taxação de produtos importados continua sendo um espinho, já que os EUA pressionam por uma abertura maior do mercado brasileiro que o governo atual resiste em conceder sem contrapartidas industriais.

No que tange ao combate ao crime organizado, a reunião serviu para afastar, ao menos temporariamente, a ameaça de Washington de classificar facções brasileiras como organizações terroristas — o que poderia ferir a soberania nacional. Em vez disso, os presidentes concordaram em um protocolo de cooperação focada em inteligência financeira e controle do tráfico de armas. O foco agora se desloca para o sufocamento do fluxo de capital dessas organizações no sistema bancário internacional. Daqui para frente, o que se espera é uma relação de “vigilância mútua”: o Brasil terá 30 dias para apresentar resultados concretos nas negociações tarifárias, enquanto a segurança pública se torna o novo eixo de cooperação técnica entre a Polícia Federal e as agências americanas.

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