Pedro Santos propõe parceria com o IHGP para interiorizar turismo cultural na Paraíba
Secretário estadual da Cultura defendeu projetos conjuntos, intercâmbio com instituições do interior e ações destinadas a ampliar o conhecimento sobre a história indígena
O secretário de Cultura da Paraíba, Pedro Santos, propôs uma parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) para desenvolver projetos de valorização da história e da cultura do estado. A proposta foi apresentada aos sócios efetivos da instituição, em reunião realizada entre o final da manhã e o início da tarde deste sábado, 19 de setembro.

Pedro Santos defendeu a aproximação do IHGP com institutos históricos, museus e entidades culturais situados fora da capital. Segundo ele, essa articulação poderá produzir publicações, encontros, intercâmbios e projetos voltados para o conhecimento e a preservação da memória paraibana.
O secretário afirmou que os atrativos do interior estão ligados tanto à diversidade geográfica quanto ao patrimônio histórico e cultural. Citou a Pedra da Boca, o Pico do Jabre, a Serra de Teixeira, as cachoeiras do Brejo, o casario de Areia e o São João de Campina Grande.
Para Pedro Santos, essas paisagens, festas e referências históricas podem fundamentar uma política de interiorização do turismo cultural. Nesse trabalho, o IHGP contribuiria com pesquisas, informações e a experiência acumulada por seus integrantes.
“Para nós, da Secretaria de Cultura, esse é um diálogo estratégico com o IHGP”, declarou. Conforme explicou, os conhecimentos reunidos pelo Instituto poderão fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas ao turismo cultural no interior.
Entre as propostas apresentadas está a aproximação do IHGP com entidades de diferentes municípios. O secretário mencionou a existência de institutos e organizações culturais em cidades como Campina Grande, Santa Luzia e outras localidades, defendendo uma relação permanente entre essas instituições.
Museu arqueológico e presença indígena
Pedro Santos também relatou uma experiência vivida em Serra Grande, no Vale do Piancó, de onde havia saído na manhã deste sábado. No município, participou da inauguração de um museu arqueológico dedicado à presença do povo tupi no sertão paraibano.
O secretário chamou a atenção para a descoberta de vestígios arqueológicos associados aos tupis numa região geralmente relacionada a povos indígenas do interior, como cariris e tarairiús. Segundo ele, esse dado provoca novas perguntas e mostra a necessidade de aprofundamento das pesquisas históricas e arqueológicas.
Outro aspecto que o surpreendeu foi a reação dos moradores de Serra Grande diante de representantes indígenas levados ao município para a inauguração. Conforme relatou, parte da população não sabia que ainda existiam comunidades indígenas organizadas na Paraíba.
A comitiva contou com indígenas potiguaras da Baía da Traição. No primeiro momento, alguns moradores imaginaram que as roupas e pinturas faziam parte de uma representação teatral, sem perceber que estavam diante de integrantes de comunidades indígenas existentes no próprio estado.
“Causou-me estranheza o fato de eles estranharem a existência de indígenas na Paraíba”, afirmou Pedro Santos. Para ele, o episódio revela a distância que ainda separa parte da população do conhecimento sobre sua própria história.
Durante a programação, os indígenas realizaram o toré, participaram de uma cerimônia de defumação e apresentaram outros elementos de sua cultura. O secretário relatou que, depois do estranhamento inicial, os moradores acompanharam as atividades, fizeram registros e divulgaram a experiência nas redes sociais.
História fora dos círculos especializados
Na avaliação de Pedro Santos, determinados fatos conhecidos por historiadores e pesquisadores ainda não chegaram a parcelas expressivas da população. Entre eles estão a participação dos povos indígenas na formação da Paraíba e as relações mantidas por potiguaras e tabajaras com franceses e portugueses durante o período colonial.
O secretário defendeu ações capazes de levar esse conhecimento às escolas, comunidades e municípios mais distantes da capital. O IHGP, segundo ele, pode colaborar na preparação do conteúdo histórico e na construção de atividades públicas de caráter educativo.
Pedro Santos sugeriu que experiências semelhantes à realizada em Serra Grande sejam desenvolvidas em outras localidades. A proposta envolve a circulação de conhecimentos, manifestações culturais e representantes das comunidades ligadas aos temas estudados.
“Não é porque moramos em João Pessoa que temos maior ou menor direito de conhecer a história da Paraíba”, observou. Ele acrescentou que o acesso à história deve alcançar também os moradores das pequenas cidades e das áreas mais afastadas dos centros de pesquisa.
Parceria com benefício mútuo
Ao tratar da possível parceria, Pedro Santos afirmou que a Secretaria de Cultura procura estabelecer relações que tragam benefícios para todas as instituições envolvidas. O apoio ao IHGP deverá ser acompanhado pela participação de seus pesquisadores em projetos culturais do Governo do Estado.
“Não estabelecemos parceria com nenhuma instituição sem que haja ganho mútuo”, ressaltou. De um lado, a Secretaria poderá colaborar com a estruturação do Instituto e com seus projetos editoriais; do outro, o Estado contará com a experiência e o conhecimento reunidos pelos sócios do IHGP.
O secretário não anunciou, durante a fala, um calendário para a execução das propostas. Indicou, porém, que as conversas deverão prosseguir para transformar as ideias apresentadas em projetos conjuntos.
A reunião abriu a possibilidade de cooperação em três frentes principais: publicações históricas, intercâmbio com instituições do interior e atividades de difusão da história indígena. As propostas ainda precisarão ser detalhadas pelo IHGP e pela Secretaria de Estado da Cultura.




