PATRIOTISMO DE FACHADA, SUBMISSÃO REAL
É impressionante como a estupidez política, no Brasil contemporâneo, tem ultrapassado todos os limites. Estarrecidos, assistimos, nesta semana, uma cena que jamais imaginávamos testemunhar: um grupo de parlamentares, em pleno salão do Congresso Nacional, empunhava a bandeira dos Estados Unidos enquanto prestava homenagem ao -presidente Donald Trump. Esses predadores da democracia ignoram as ameaças feitas à nossa economia, aceitando como condição para negociar a renúncia à nossa soberania.
O grande problema é que não é fácil nos proteger desses inopinados ataques da estupidez. Os estúpidos não precisam se esforçar para se tornarem agressores — são, por natureza, movidos pela insensatez. E, por isso mesmo, tornam-se perigosos. O que mais chama atenção no comportamento desses parlamentares é a contradição gritante: vivem proclamando slogans patrióticos, mas praticam atos que violam frontalmente o conceito de patriotismo. Essa incoerência, por si só, já ultrapassa os limites da estupidez.
Eles demonstram, de forma inequívoca, ausência de inteligência, discernimento e bom senso. Revelam enorme dificuldade em usar suas capacidades racionais. São constitutivamente destrutivos.
Essa situação nos desperta para uma reflexão inevitável: afinal, estamos vivendo a Era da Estupidez ou a romantização da burrice? Os vilões desse cenário não se permitem avaliar que suas ações geram prejuízos não apenas para os outros, mas também para si próprios. “Brasil acima de tudo” é um dos lemas da sua ideologia política. Como conciliar essa afirmação com a reverência a um país estrangeiro que busca nos colocar em posição de submissão? Como aceitar a exaltação de uma liderança que despreza a nossa independência?
Na verdade, eles apenas repetem o gesto do seu principal líder, que em 2017, ainda como deputado federal, prestou continência à bandeira norte-americana — um ato simbólico que revela o verdadeiro conteúdo da sua subserviência.
Agindo de forma irresponsável, esses parlamentares não se preocupam com as consequências de seus atos. Tomam decisões movidos por impulsos e paixões políticas, revelando, lamentavelmente, que a estupidez não conhece fronteiras. A parte lógica de seus cérebros parece permanentemente desligada. Albert Einstein já dizia: “Apenas duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana — e não tenho certeza quanto à primeira”.
A extrema-direita brasileira parece ter compreendido que exibir ignorância com convicção é uma maneira eficaz de fidelizar seus seguidores, normalizando a estupidez como elemento central do discurso político. Esses parlamentares perderam o receio de se expor ao ridículo. Celebram a ignorância como prova de autenticidade. São figuras públicas cujo objetivo é submeter o país aos interesses dos Estados Unidos, sem qualquer constrangimento diante da agressividade de Trump.
A sociedade brasileira tem demonstrado que não tolera essa entrega da nossa soberania em nome de ideologias ou interesses externos. Corremos o risco constante de sermos devorados por esses monstros que, em algum momento, ajudamos a criar.
Rui Leitão

