PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Quem foram Rosa Amélia e Nicola Parente, e o que era o Engenho Angico Torto

Sérgio Botelho – A foto que inspira este texto, preservada pela Brasiliana Fotografia da Biblioteca Nacional, mostra uma senhora de nome Rosa Amélia Cavalcanti de Arruda Câmara. O registro, feito pelo fotógrafo Nicola Parente, teve como cenário o Engenho Angico Torto.
A legenda da foto é a seguinte: “Parente, Nicola Maria. Rosa Amelia Cavalcanti de Arruda Câmara [Engenho Angico Torto – Paraíba]. Goiana, PE/Fundação Joaquim Nabuco”. Nicola Parente viveu naquela cidade pernambucana por volta de 1895.
Segundo o site Genealogia Pernambucana, Rosa Amélia nasceu em 1 de março de 1855, na Fazenda Bacamarte, em Ingá-PB. Nicola Parente, o fotógrafo, antes de Goiana, se estabeleceu na Cidade da Parahyba, atual João Pessoa, em 1886, no lusco-fusco do Império.
O nome de Nicola Parente figura em qualquer história do cinema paraibano, uma vez que foi o primeiro a exibir imagens em movimento na cidade, evento ocorrido durante a Festa das Neves de 1897.
A localização do Angico Torto fica clara na tese de Doutorado (2005) em História de Serioja Rodrigues Cordeiro Mariano, “Gente Opulenta e de Boa Linhagem – Família, Política e Relações de Poder na Paraíba (1817-1824)”, da UFPE, como sendo no termo da vila de Pilar-PB.
Rosa Amélia integra o tronco familiar do célebre botânico Manuel de Arruda Câmara, nascido em Pombal em 1752 e falecido em Goiana em 1810, pouco mais de quatro décadas antes de ela vir ao mundo.
Voltando ao Engenho Angico Torto, a propriedade faz parte da história da Revolução de 1817. O então proprietário André de Figueiredo era pai do Padre Antônio Pereira de Albuquerque, um dos mártires do movimento.
Por meio de seu casamento com Feliciano da Cunha Cavalcanti, dono da propriedade no final do século XIX, é que Rosa se vincula ao Engenho Angico Torto. A fotografia, devidamente identificada, lhe garantiu a posteridade.
Sérgio Botelho é jornalista, escritor, memorialista e sócio efetivo do IHGP.




