PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Do rio ao mar: a longa travessia de João Pessoa até o seu litoral

Sérgio Botelho – Quem caminha hoje pela monumental orla de João Pessoa, especialmente entre Bessa e Cabo Branco, não imagina o quanto a cidade demorou para chegar até ali.
Às margens do rio Sanhauá, a capital paraibana nasceu no interior, de costas para o mar. A ocupação do litoral foi um processo lento, que levou quase quatro séculos para se consolidar.
São apenas oito quilômetros separando o ponto inicial da fundação, no atual Varadouro, até as areias do Atlântico. No entanto, entre o rio e as praias havia uma densa faixa de mata atlântica, rios, charcos, terrenos úmidos, todo tipo de dificuldade natural. E, além disso, uma capitania pobre e muito dependente de Recife e Olinda. A urbe andou bem devagar.
Foi lá pelas primeiras décadas do século XX que a cidade começou a se aproximar do seu litoral. A construção da atual avenida Epitácio Pessoa, na década de 1920, foi marco fundamental nesse processo. Ela abriu ligação entre o Centro e o litoral, cortando a mata e se aventurando mais ousadamente por sobre o rio Jaguaribe.
Porém, a ocupação urbanística mais densa da faixa litorânea só começou de fato com a pavimentação da avenida, na década de 1950. Foi então que a cidade chegou para valer à beira-mar, iniciando o crescimento irreversível dos bairros de Cabo Branco, Tambaú, Manaíra e Bessa.
Sérgio Botelho – Jornalista e escritor



