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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Ariano Suassuna na Academia Brasileira de Letras

Foto: Ariano Suassuna, portal da ABL

Sérgio Botelho – O dia 9 de agosto é um dia particularmente de júbilo para a cultura paraibana. Há 36 anos, em 1990, o paraibano Ariano Suassuna, uma das glórias da literatura brasileira, era recebido na Academia Brasileira de Letras.
Foi saudado na feliz ocasião pelo acadêmico Marcos Vinícius Rodrigues Vilaça (falecido em março do ano passado, 2025), pernambucano, professor de Direito, de História e ex-ministro do Tribunal de Contas da União.
Ariano (falecido em 2014), tornou-se o sexto ocupante da Cadeira 32, cujo patrono é Manuel de Araújo Porto-Alegre, o Barão de Santo Ângelo. A cadeira foi fundada por Carlos de Laet e ocupada, sucessivamente, até a posse de Suassuna, por Ramiz Galvão, Viriato Correia, Joracy Camargo e Genolino Amado.
“… lembro a cada instante que, se o Brasil oficial é dos brancos, do presidente e de seus ministros, o Brasil real é o de Antônio Conselheiro e Mocinha de Passira”, disse Ariano em seu discurso de posse, referindo-se ao líder de Canudos e a uma repentista e cantora de viola pernambucana.
As insígnias, compostas pelo fardão, pelos bordados de ouro, por um chapéu tradicional de gala, com plumas, pela espada e pelo medalhão da imortalidade, que simboliza a perenidade da obra literária do acadêmico, foram doadas pelo governo de Pernambuco.
Suassuna residiu a maior parte de sua vida, no Recife. Seu pai, João Suassuna, ex-presidente da Paraíba, fora assassinado no Rio de Janeiro, na sucessão dos acontecimentos de 1930, após o também assassinato de João Pessoa, presidente paraibano.
As insígnias foram antecipadamente entregues a ele pelo próprio governador pernambucano, à época, Miguel Arraes, em solenidade no Palácio do Campo das Princesas. O fardão foi confeccionado, não por alfaiates, mas por costureiras pernambucanas.
Segundo explicou, com a escolha das costureiras, Ariano visava aproximar o uniforme, o colar e a espada dos rituais festivos com o trabalho artesanal do povo nordestino.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

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