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SÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS –  Contrabando por ordem da Coroa


Imagem ilustrativa

Sérgio Botelho – No tempo em que a Capitania da Paraíba ficou subordinada à de Pernambuco, por decisão tomada pela Coroa portuguesa, em 1755, vigorando entre 1756 e 1799, a vida do mais longevo governador paraibano, de todos os tempos, no cargo, foi um tormento.
Para Jerônimo José de Melo e Castro, que chefiou a Paraíba por 33 dos 44 anos de subordinação a Pernambuco, além das ambiguidades sobre o real poder de cada governador, havia ainda a malfadada relação entre setores produtivos paraibanos e Recife.
Em meio ao período de subordinação, a Paraíba viveu a criação de muitas vilas (ao final, do texto, há uma relação). Entre elas, a de Monte-Mor (atual Mamanguape), que até tinha porto. Por meio dele, começou a escoar um comércio lucrativo direto para o porto recifense.
Jerônimo não dava vida fácil a esse comércio ilegal, com prejuízos para a Fazenda Real paraibana e para o empenho com que ele se dedicava à luta pela recuperação da autonomia da província. Nesse sentido, durante o seu governo, houve apreensões de mercadorias.
Naturalmente, reclamações foram enviadas pelo governador ao Conselho Ultramarino. Por outro lado, produtores e comerciantes também enviaram suas demandas à Coroa, no início da década de 1790, já ao tempo do reinado de Dona Maria I.
Então, em 1794, uma ordem régia autorizou o tráfico mercantil entre zonas produtoras da Capitania da Paraíba e o porto do Recife, contrariando o governador Jerônimo e os interesses paraibanos.
Sobre o assunto, importante ler o professor-doutor José Inaldo Chaves Júnior, no artigo “’Por ser Pernambuco tão chegado’: anexação, governos e mercados ultramarinos na Capitania da Paraíba (1791-1799)”, à disposição na Internet.
Curioso é saber o quanto a Paraíba cresceu na época da subordinação. Pilar, Alhandra, Baía da Traição, Monte-Mor, Conde, Pombal, Vila Nova da Rainha, São João do Cariri e Sousa foram vilas criadas justamente naquele período, antes de a província recobrar a autonomia em 1799.

Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.

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