COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Caiana dos Crioulos

A foto, que retrata flagrante da Comunidade de Caiana dos Crioulos, feita quando da sua festiva imissão na posse do território, é da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas-Conaq

Sérgio Botelho – Há um lugar na Paraíba, remanescente do período escravocrata, em que as manifestações culturais nada têm de kitsch. Lá, coco de roda, pífano, ciranda, em meio a diversas manifestações vinculadas às tradições culturais afros, guardam explícitos atributos ancestrais. Falo da Comunidade Quilombola (assim, já oficialmente reconhecida pela Fundação Cultural Palmares, do governo federal) Caiana dos Crioulos, situada na área rural de Alagoa Grande, onde vivem dezenas de famílias descendentes de escravos. A respeito da origem do coletivo, existem controvérsias. Há quem diga que o quilombo nasceu de rebelião ocorrida quando do desembarque de navio negreiro aportado em Baía da Traição, no Litoral Norte da Paraíba. Outros entendem que teria surgido a partir da chegada, a Alagoa Grande, de sobreviventes do massacre do Quilombo dos Palmares, o que justificaria a existência da localidade denominada Zumbi, nas proximidades do município. Tem, ainda, a versão do historiador Celso Mariz, que levanta a “possibilidade de a origem do quilombo estar ligada à {Sociedade} Emancipadora Areiense – movimento abolicionista liderado por Manuel da Silva, na vizinha cidade de Areia, que libertou os escravos do lugar antes da Lei Áurea”, de acordo com citação incluída no documento acadêmico “Performance musical e história: os cocos da Caiana dos Crioulos”, de Eurides de Souza Santos e Marília Cahino Bezerra. Conforme descreve o Incra, “além das culturas de subsistência, como feijão, fava, milho, mandioca, inhame e batata-doce, a criação de animais e a fruticultura predominam em Caiana dos Crioulos”. A luta dos quilombolas da Caiana dos Crioulos continua sendo pela sobrevivência. No local, é possível encontrar comércio de artesanato. O turismo também tem servido para dar algum incremento econômico à comunidade. Além de conhecer as trilhas Reino Encantado e Mandala, como também um museu, é possível ouvir lendas e crenças contadas pelos próprios habitantes. Apoiar a Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos é, portanto, uma forma de valorizar a diversidade cultural brasileira e fortalecer a luta pela igualdade e justiça social. É uma oportunidade de aprender com a história e ajudar na construção de um futuro mais justo e inclusivo para todos.

Sérgio Botelho – Jornalista e Escritor

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