O JULGAMENTO QUE DEFINE A DEMOCRACIA
O julgamento dos acusados pela trama golpista que resultou na barbárie de 8 de janeiro de 2023 marca um dos momentos mais importantes da história republicana recente. No banco dos réus estão o ex-presidente, militares de alta patente e outros envolvidos na conspiração contra a democracia.
Não se trata apenas de punir indivíduos. O que está em jogo é a afirmação de que a lei vale para todos e que o Brasil não mais tolerará aventuras autoritárias. A condescendência com os golpistas do passado abriu espaço para novas tentativas de ruptura institucional. Agora, a sociedade exige que a Justiça imponha penalidades exemplares, capazes de dissuadir reincidências.
Como afirmou a ministra Cármen Lúcia, “não temos vocação para a tirania, temos vocação para a liberdade”. O recado é claro: o país não servirá mais como laboratório de ditadores. O Supremo Tribunal Federal, sob ameaça e pressão, tem o dever constitucional de julgar com imparcialidade e firmeza, lembrando que crimes contra a ordem democrática são inafiançáveis e imprescritíveis.
A condenação dos golpistas representará não apenas a reparação de um crime, mas o virar de página de nossa história. Um gesto inequívoco de restauração democrática, capaz de reafirmar o compromisso coletivo com a frase que ecoa como pacto civilizatório: Ditadura, nunca mais.
Rui Leitão
