CRISE FABRICADA: A VINGANCA PESSOAL VIROU ESTRATÉGIA POLÍTICA
Temos acompanhado com preocupação o que pode ser classificado como um verdadeiro “ato de guerra” contra o Brasil, estimulado pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e endossado por setores do governo dos Estados Unidos. É impressionante como alguém tem a ousadia de assumir publicamente a responsabilidade por consequências tão nocivas à economia nacional — e, por extensão, à população e aos empresários afetados pelas sobretaxas anunciadas pelo “galego doidão” que hoje ocupa a presidência dos EUA. Em nenhum momento demonstrou preocupação com empregos, empresas ou com os interesses do país. Seu objetivo é unicamente resolver os problemas da própria família, ainda que isso implique na destruição do Brasil.
É quase inacreditável que alguém, com o mínimo senso de patriotismo, tenha feito uma declaração como a que vimos em um de seus vídeos mais recentes: “Se houver um cenário de terra arrasada, pelo menos eu estarei vingado desses ditadores de toga.” O parlamentar demonstra ter herdado a personalidade beligerante do pai. Fica explícito o atentado à soberania nacional, conforme previsto no artigo 359-I do Código Penal Brasileiro, que proíbe “negociar com governo ou grupo estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de promover atos de guerra contra o País ou invadi-lo”. A pena prevista varia de 3 a 8 anos de prisão, podendo ser dobrada em caso de guerra, se comprovada a negociação ilegal.
Eduardo Bolsonaro parece não compreender que ninguém está acima das leis e que o Brasil não é uma monarquia em que ele possa se comportar como um “príncipe herdeiro”. Nas redes sociais, comemorou publicamente as tarifas impostas ao Brasil e admitiu ter participado de reuniões na Casa Branca, onde chegou a discutir a aplicação de sanções ainda mais severas contra seu próprio país. É, portanto, um réu confesso.
Suas posições políticas evidenciam uma ideologia de extrema direita cada vez mais radical e afrontosa. Ao lado do pai, busca ocupar todos os espaços do extremismo. O culto às armas é uma de suas obsessões, o que ajuda a explicar seu comportamento incendiário. Segundo delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da presidência, Eduardo tinha a intenção de formar uma “tropa civil” composta por colecionadores, atiradores e caçadores (CACs) para apoiar um golpe de Estado em favor do pai.
Com o objetivo de expandir a extrema direita no país, organizou anos atrás um Curso de Formação Conservadora, no qual eram disseminadas teorias conspiratórias, releituras distorcidas de fatos históricos e econômicos, além de ideias que restringiam os papéis da família e da sociedade. O curso visava preparar voluntários para “tirar o Brasil das garras da esquerda”. Globalismo, ideologia de gênero e políticas armamentistas eram as bandeiras centrais — bem conhecidas — do clã Bolsonaro.
Motivado unicamente por vingança e pela necessidade de alimentar o próprio ego ferido, Eduardo Bolsonaro tem se empenhado em sabotar a economia nacional. Não se constrange em tornar público seu desprezo pelo povo brasileiro e pela democracia, ignorando por completo a responsabilidade do cargo para o qual foi eleito. A crise diplomática e comercial que ele vem, de forma deliberada, fomentando entre Brasil e Estados Unidos representa, sem dúvida alguma, um crime de lesa-pátria.
Rui Leitão

