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Áudios revelam que delegado Braz Morroni orientou registro de boletim falso para acobertar desvio de drogas na PB

Foto: Reprodução TV/Paraíba

Novos áudios obtidos pela Polícia Civil da Paraíba revelam que o delegado Braz Morroni, ex-titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), orientou subordinados a inserirem informações falsas em um Boletim de Ocorrência (BO). O objetivo da fraude era acobertar o desvio de uma grande quantidade de drogas apreendidas no estado.

De acordo com as investigações da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo informou oficialmente a apreensão de apenas 1,5 kg de entorpecentes no registro policial, enquanto os indícios coletados apontam que o volume real confiscado passava de 100 kg.

“Faz essa requisição”

As gravações foram extraídas de celulares apreendidos. Em um dos trechos, o delegado entra em contato com um funcionário (identificado pelo código “Quinze”) para coordenar a formalização adulterada do material levado pelos agentes Eduardo Jorge Ferreira do Egito (conhecido como “Mão Branca”) e Everton Rychelyson da Silva Aires (o “Bomba”).

“Beleza, Quinze, é o seguinte, Mão Branca e o Bombado vão levar uma droga que eles apreenderam, certo? (…) Aí é só pra tu fazer o ofício de constatação de substância, certo? Aí da forma que vier, eu acho que são dois sacos grandes. E aí você só faz essa requisição. Bota o local, né? Que foi numa casa. Aí tu organiza com ele, viu?”, diz o delegado Braz Morroni no áudio.

Além do áudio, arquivos extraídos com dados de geolocalização, data e horário registraram imagens dos pacotes de drogas guardados clandestinamente em um quarto antes de serem desviados.

A Operação Perfídus

Braz Morroni e os dois agentes da Polícia Civil foram presos no âmbito da Operação Perfídus, uma força-tarefa da Draco, da Unidade de Inteligência Policial (Unintelpol) e do Gaeco (Ministério Público da Paraíba). A investigação, iniciada após a denúncia de um traficante que teve sua carga subtraída pelos próprios policiais, analisou mais de 40 mil áudios.

O esquema criminoso funcionava há cerca de quatro anos e movimentou R$ 10 milhões, valor que foi bloqueado da conta dos investigados por ordem judicial. Os áudios revelam uma extensa contabilidade paralela, com transferências via Pix (como uma de R$ 8 mil citada nas gravações) e divisão dos lucros do tráfico. Segundo o inquérito, o papel principal do delegado no esquema era garantir proteção institucional e negociar os carregamentos de substâncias como cocaína e skunk.

Os policiais envolvidos tiveram suas prisões preventivas mantidas após audiência de custódia e seguem detidos no Presídio Especial Valentina de Figueiredo, em João Pessoa. A defesa dos investigados informou que se manifestará apenas nos autos do processo após ter acesso integral às mídias da investigação.

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