
Sérgio Botelho – A nostálgica foto, captada a partir da torre do relógio do Lyceu Paraibano, mostra, em primeiro plano, a avenida Getúlio Vargas, no final da década de 1930, ornamentada pela Lagoa e pelo Centro de João Pessoa, revelando uma cidade muito arborizada e horizontal.
Entregue em abril de 1939, a nova via foi obra do governo Argemiro de Figueiredo, entre 1935 e 1940, uma parte na condição de eleito pela Assembleia Constituinte paraibana e outra como interventor.
Argemiro foi o responsável pela reforma mais significativa na Lagoa, após a realizada pelo governador Sólon de Lucena, no início da década de 1920. A primeira, a dos anos 20, entregou uma área de charco foco de doenças para outra saneada e urbanizada.
Argemiro plantou árvores de espécies locais e de outras regiões do país, no entorno do parque, tendo o leito da rua do seu anel interno sido pavimentado com paralelepípedos. Ao trabalho, acrescentou ainda o Cassino de Verão e a fonte luminosa.
Na ocasião, abriu e pavimentou a Getúlio Vargas, ao estilo de um parkway, onde conviviam a preocupação estética com o tráfego de veículos, numa rua de 50 metros, e a possibilidade de lazer em seus largos e arborizados canteiros centrais. Junto, construiu o Instituto de Educação, que passou a abrigar o Lyceu Paraibano.
Ao mesmo tempo, todo o centro de João Pessoa foi remexido, com ruas alargadas, retificadas e pavimentadas. Enquanto isso, novas vias eram abertas, obedecendo a um plano modernizador elaborado e executado pelo engenheiro carioca Nestor Egydio de Figueiredo.
“Trabalha-se na abertura de duas avenidas em que se bifurcará o parkway, uma das quais atingirá a Praça da Independência, atendendo, assim, com a avenida Epitácio Pessoa, ao tráfego do litoral, tanto de Tambaú como para Cabedelo”, explicou Nestor ao jornal A União.
Era João Pessoa crescendo cada vez mais para o Leste, com particular atenção ao novo Porto de Cabedelo, inaugurado em 1935.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.




