
Sérgio Botelho – “Em tudo devemos competir com os homens – no governo da família, como na direção do estado. (…) O princípio da força é o homem, o da ordem é a mulher. (…) O homem é a negação da ordem (…)”.
A ousada declaração para a época é do editorial do jornal semanal A Família, em São Paulo, na sua primeira edição, em 1888, assinada por uma cidadã de nome Josefina Álvares de Azevedo. A citação consta de trabalho assinado pela professora da UFPE Karine da Rocha Oliveira.
A referida pesquisa acadêmica, parte do Programa Nacional de Apoio à Pesquisa, da Fundação Biblioteca Nacional, intitulado “Josefina Álvares de Azevedo: a voz feminina no século XIX através das páginas do jornal A Família”, é de 2009.
Josefina, de infância a adolescência na cidade do Recife, sempre se autodeclarou recifense (natural, para quem tinha uma relação tão fortemente afetiva com a cidade). A Karine, do trabalho científico a que nos referimos, defende a autodeclaração de naturalidade
Contudo, no atestado de óbito de Josefina, com data de 1 de setembro de 1913, documento lavrado no Rio de Janeiro, normalmente feito a partir da respectiva Certidão de Nascimento, está assentado que ela nasceu na cidade da Parahyba, atual João Pessoa.
Josefina foi jornalista, escritora, poeta, dramaturga e, sobretudo, figura central do feminismo do fim do século XIX no Brasil. O jornal A Família, sob sua direção, defendeu educação e o direito ao voto para mulheres.
Ela levou a discussão ao teatro. Em 26 de maio de 1890, estreou O voto feminino, no Teatro Recreio Dramático, no Rio. A peça encenava argumentos e pedia ação legislativa. Depois, circulou em folhetins no próprio jornal.
Em 1891, reuniu artigos no livro A mulher moderna. O volume consolidou seu programa de “instrução para mulheres, autonomia no trabalho, participação política”, tendo sido reeditado pelo Senado Federal em 2021, sendo uma edição atualmente esgotada.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.




