POLÍTICA

O jogo duplo dos Ribeiro: entre o Palácio do Planalto e a base conservadora

Veja também como votaram os deputados e senadores da Paraíba

Fotos: Instagram e Redes Sociais

A recente votação no Congresso Nacional sobre o veto presidencial à dosimetria de penas revelou uma estratégia refinada de equilibrismo político do clã Ribeiro na Paraíba. Ao contrário de um movimento unificado, o que se viu foi uma divisão calculada: enquanto o deputado federal Aguinaldo Ribeiro votou pela derrubada do veto (contra o interesse de Lula), a senadora Daniella Ribeiro votou pela manutenção (a favor do governo). Esse “voto cruzado” não é um erro de comunicação, mas uma peça-chave no xadrez para 2026.

​Uma estratégia de redução de danos

​O movimento do clã Ribeiro representa uma tentativa clara de agradar aos dois lados. Ao votar contra o veto, Aguinaldo Ribeiro mantém as pontes com o eleitorado de centro-direita e com a cúpula nacional do Progressistas (PP), partido que, embora componha o governo, preserva uma pauta de rigor penal. Já o voto de Daniella Ribeiro funciona como um gesto de fidelidade direta ao Palácio do Planalto, garantindo que a família ainda possa sentar à mesa com o PT sem ser acusada de traição total.

​Essa tática de “um pé em cada canoa” visa proteger a candidatura de Lucas Ribeiro ao Governo do Estado. O clã sabe que, para vencer na Paraíba, Lucas precisa do prestígio e da militância de Lula, mas não pode se tornar refém de uma pauta puramente de esquerda que afaste o eleitor médio paraibano.

​Lula vai “Gastar” esse atrito?

​A grande questão é se o presidente Lula irá cobrar essa fatura. No pragmatismo de Brasília, o governo raramente “gasta” capital político punindo aliados por votos divididos, desde que o apoio em pautas econômicas cruciais seja mantido.

​No entanto, o governo federal não é um bloco monolítico. Setores do PT paraibano podem usar o voto de Aguinaldo como munição para questionar a confiabilidade da aliança, tentando forçar Lucas a assumir compromissos mais rígidos com a esquerda ou até mesmo pleiteando mais espaço na chapa majoritária, o que gera ruído na construção política.

​O impacto para João Azevêdo e o Senado

​Para o governador João Azevêdo, esse jogo de sombras dos Ribeiro traz um elemento de incerteza. João  deixou o governo para disputar o Senado, confiando a máquina estadual a Lucas Ribeiro. Se a estratégia dos Ribeiro de “agradar a todos” resultar em um distanciamento do PT nacional, João Azevêdo pode acabar isolado. Ele precisa de um Lula engajado em sua campanha para o Senado, e qualquer instabilidade causada pelos votos do clã Ribeiro em Brasília pode respingar na sua viabilidade eleitoral.

​Se o PT sentir que os Ribeiro estão jogando de forma ambígua demais, a legenda pode exigir a vaga de João Azevêdo para o Senado como “garantia de fidelidade”, ou dificultar a ascensão tranquila de Lucas. Em resumo, os Ribeiro tentaram o “melhor dos dois mundos”, mas o equilíbrio dessa balança dependerá da paciência do Planalto e da capacidade de João Azevêdo de mediar essa relação até 2026.

​Você acredita que essa estratégia de dividir votos fortalece a posição do clã Ribeiro nas negociações ou pode acabar gerando desconfiança tanto na direita quanto na esquerda?

Veja como votaram as bancadas da PB

Aguinaldo Ribeiro PP Bl UniPpPsd… Não
Cabo Gilberto Silva PL Não
Damião Feliciano União Bl UniPpPsd… Sim
Gervásio Maia PCdoB Fdr PT-PCdoB-PV Sim
Luiz Couto PT Fdr PT-PCdoB-PV Sim
Mersinho Lucena PSD Bl UniPpPsd… Não
Romero Rodrigues Podemos Bl UniPpPsd… Não
Wellington Roberto PSD Bl UniPpPsd… Não
Wilson Santiago Republican Bl UniPpPsd… Não
Total Paraíba: 9
 

 

 

https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/plenario/resultadoVotacao

 

Paraíba (PB)  SENADO
Daniella Ribeiro PP Sim
Efraim Filho PL Não
Veneziano Vital do Rêgo MDB Sim

Fonte da votação: Congresso Nacional

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