Mais de 90% dos pediatras das UPAs de João Pessoa relatam insegurança frequente em plantões
Levantamento inédito realizado pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (SIMED-PB) avaliou as condições de trabalho nas quatro UPAs da capital paraibana

Três em cada quatro pediatras que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa relataram sentir-se frequentemente inseguros durante os plantões, segundo levantamento inédito do Sindicato dos Médicos da Paraíba (SIMED-PB). Os dados foram apresentados nesta sexta-feira (3), durante a 6ª Conferência Internacional de Sindicatos Médicos, pelo presidente da entidade, Tarcísio Campos. O estudo avaliou as condições de trabalho nas quatro UPAs da capital paraibana.
Em sua fala, Tarcísio Campos destacou que o problema ultrapassa os limites da estrutura física e atinge diretamente a segurança dos médicos no exercício da profissão.
“É um desafio urgente no Brasil, e o SIMED junto com a Federação Médica Brasileira têm a premissa de defender os médicos nas situações em que estão expostos a agressões físicas. Temos a necessidade de estar ao lado da categoria para torná-la mais forte diante desse desafio. Fizemos uma pesquisa agora no mês passado, aqui nas quatro unidades de pronto atendimento da nossa região”, afirmou o presidente.
Foi identificado um impacto significativo na saúde mental, sobretudo entre médicas jovens, muitas em sua primeira experiência na emergência pediátrica. Relatos de ansiedade, estresse elevado e sensação de abandono institucional foram recorrentes.
Além disso, a pesquisa mostrou que a redução do quadro compromete diretamente a assistência às crianças:
- Um único pediatra por plantão aumenta o risco de erros diagnósticos e atrasa o atendimento;
- A ausência de uma segunda opinião médica coloca em risco a segurança terapêutica;
- A população infantil de João Pessoa fica exposta a um atendimento de qualidade inferior.
O levantamento reforça a preocupação da categoria com a necessidade de investimentos, valorização e segurança para os profissionais que atuam na rede de urgência e emergência. Segundo Dr. Tarcísio, as condições atuais de trabalho representam ameaça tanto à saúde dos médicos quanto ao cuidado da população.



