colunaRui Leitão

UMA NOVA POLARIZAÇÃO POLÍTICA

O ataque dos Estados Unidos à soberania nacional, com o apoio de brasileiros que desprezam o sentimento de patriotismo, faz surgir uma nova polarização política no Brasil. Um país que até então se via dividido por convicções ideológicas ou partidárias, agora se depara com uma disputa entre aqueles que defendem a soberania nacional e os que se alinham aos interesses estrangeiros.

Nos últimos anos, a sociedade brasileira apresentava uma divisão centrada na adoção de posições políticas antagônicas, confrontando alinhamentos ideológicos de direita e esquerda, conservadores e progressistas. A identidade política passou a se construir, muitas vezes, a partir da negação do outro.

Essa radicalização do pensamento afetou não apenas o debate político, mas também as relações sociais e familiares, bem como a confiança nas instituições. A política tornou-se uma questão de identidade e afetividade, configurando-se em um conflito entre “nós” e “eles”. A comunicação via internet amplificou essa polarização, com a criação de “bolhas ideológicas” que fomentaram as chamadas “guerras culturais”.

Esse processo de polarização começou a se intensificar ainda no período da redemocratização, quando o PT se apresentou como intérprete do ideário socialista, enquanto o PSDB empunhava a bandeira da social-democracia. A tradicional disputa entre petistas e tucanos perdeu relevância a partir das eleições de 2018, com a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência da República. A partir de então, as divergências políticas passaram a se configurar entre um grupo autodeclarado liberal — defensor da liberdade individual, da igualdade perante a lei, da democracia e do livre mercado — e outro grupo que advoga por valores conservadores, como a preservação das instituições sociais tradicionais: a família, a religião e os costumes baseados em normas morais rígidas.

O ideal seria encontrarmos caminhos para promover a união e a reconciliação nacional. Não se trata de uma tarefa fácil, mas o momento atual exige essa busca. Já não se trata apenas de paixões políticas motivadas por afinidades ideológicas ou filiações partidárias. O debate, agora, deve necessariamente se voltar para a defesa da soberania nacional. A polarização em torno de questões domésticas começa a ceder espaço à preocupação com temas da política externa.

A soberania nacional passa a ocupar o centro da polarização política brasileira contemporânea. O que se impõe como prioridade é a proteção dos interesses nacionais no cenário internacional, especialmente diante das inaceitáveis ingerências do governo norte-americano na política interna do Brasil, que ameaçam comprometer nossa autonomia. Devemos nos unir em torno da defesa de um Estado que exerça plenamente a autoridade sobre seu território e sua população, sem interferência externa.

É necessário construirmos, coletivamente, uma consciência cívica que, independentemente das posições ideológicas, busque consensos em torno das questões fundamentais para o futuro do país e para a proteção de nossa soberania.

Unidos, poderemos reagir com mais firmeza às investidas do governo Trump, marcadas por uma visão transacional e personalista nas relações internacionais, que desrespeita nossa soberania. Reafirmemos nossa independência, não apenas perante os Estados Unidos, mas diante de nós mesmos. Que essa provocação diplomática sirva de estímulo à formação de uma unidade nacional, orientada por uma prática política sustentada na resiliência democrática — sem ceder às pressões que nos conduzam a um novo ciclo de dependência e fragilidade institucional.

Rui Leitão

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