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Senado aprova PEC da Segurança Pública em dois turnos, texto vai à promulgação

Proposta amplia a integração entre as forças de segurança, com criação de polícias municipais, novas atribuições à PRF e combate às facções.

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O Senado aprovou em segundo turno nesta terça-feira (3), em votação unânime de 75 votos, a PEC da Segurança Pública. O texto reformula a organização das forças policiais, amplia a integração entre União, Estados e municípios e estabelece novas regras de financiamento para o setor. A matéria manteve o texto aprovado anteriormente na Câmara dos Deputados, devendo agora ser encaminhada à promulgação.

De autoria do governo federal, a PEC 18/2025 passou por alterações na Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado, onde recebeu parecer favorável do senador Rogério Carvalho (PT-SE). A versão aprovada pelos deputados ampliou o alcance da proposta original, com novas disposições sobre combate ao crime organizado, funcionamento das instituições policiais, sistema penitenciário e aplicação de recursos públicos.

Entre as principais alterações está a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, com regras para o compartilhamento de informações e a realização de operações conjuntas entre diferentes órgãos policiais. A proposta também permite a criação de polícias municipais, amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e estabelece tratamento penal mais rigoroso para integrantes de organizações criminosas.

PEC da Segurança Pública recebeu orientação favorável de todos os partidos.

PEC da Segurança Pública recebeu orientação favorável de todos os partidos. Carlos Moura/Agência Senado

 

Maioridade penal fora

O Senado decidiu manter a redução da maioridade penal fora da PEC da Segurança Pública. A proposta de alteração da idade de responsabilização criminal foi separada da reforma para análise em tramitação própria, sem modificar o texto principal.

A inclusão do tema havia sido defendida pela oposição, especialmente pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), bem como pelo líder do PT, Camilo Santana (PT-CE). O relator sustentou que o assunto deveria ser examinado separadamente, e apresentou um requerimento para que o tema receba uma PEC própria. Venceu o requerimento do relator.

Principais pontos

A PEC estabelece novas regras de cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios. O Sistema Único de Segurança Pública passa a ter previsão constitucional e permite a atuação conjunta das instituições por meio de forças-tarefa, compartilhamento de informações, integração de bancos de dados e operações coordenadas contra organizações criminosas.

Na estrutura policial, o texto autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil, com atribuições de policiamento ostensivo e comunitário. Essas corporações deverão cumprir requisitos de formação, capacidade financeira e avaliação periódica. A proposta também amplia as competências da Polícia Rodoviária Federal, que poderá atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias federais, além da proteção de instalações e serviços da União nas condições previstas no texto.

O combate às organizações criminosas também recebe tratamento específico. A PEC estabelece que a legislação deverá prever sanções mais rigorosas para integrantes e líderes de facções, milícias e organizações paramilitares, conforme a posição ocupada em suas estruturas.

Entre as possibilidades estão restrições à progressão de regime, ao livramento condicional e à concessão de outros benefícios penais, além de regras para apreensão e perda de bens provenientes das atividades criminosas.

A proposta também reforça os direitos das vítimas de crimes, com garantias de proteção, assistência e acesso à Justiça. No sistema prisional, cria o Sistema de Políticas Penais, que estabelece diretrizes para a custódia, disciplina e reintegração social das pessoas privadas de liberdade, além de definir atribuições das polícias penais. Outra alteração prevê a suspensão dos direitos políticos de pessoas submetidas à prisão provisória durante o período de recolhimento.

Na área orçamentária, a PEC inclui na Constituição o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional, com previsão de repasse de 50% dos respectivos recursos aos Estados e ao Distrito Federal. O texto também estabelece proteção contra contingenciamentos e destina aos fundos o equivalente a 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, com implementação gradual.

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