POLÍTICA

Racha no Mobiliza: apoio de Eurípedes Leal a Lucas Ribeiro sem consulta à base provoca crise interna

 


O anúncio de apoio do presidente estadual do Mobiliza, Eurípedes Leal, ao governador Lucas Ribeiro (PP) abriu uma crise interna no partido na Paraíba e expôs fissuras entre a direção e a base da legenda.

A decisão, segundo relatos de filiados, foi tomada sem diálogo prévio com o único vereador de mandato da sigla, Rômulo Dantas, que obteve 4.119 votos na última eleição, e também sem qualquer consulta às principais lideranças do partido. São nomes com votação expressiva e forte presença nos municípios, especialmente em João Pessoa, como Alexandre Ítalo (3.714), Felipe Teles (2.104), Saturno (1.243), Pablo Gouveia (842), Bispo Wandilson Lopes (756), Rita Tuaregues (720), Darinho (690), Rogério Gás (669), Elton Coelho (660), Luciana do Povão (533), Edson Pessoa (290) e Patrícia Freitas (25). Na avaliação interna, esse conjunto de lideranças foi simplesmente ignorado no processo decisório. O gesto foi interpretado por parte da militância como uma condução unilateral, que desconsidera a construção coletiva e fragiliza a coesão partidária.

Nos bastidores, o movimento gerou forte reação. Integrantes do Mobiliza passaram a questionar não apenas o mérito do apoio ao governo, mas, sobretudo, a forma como ele foi articulado. Para os filiados, o episódio reforça um padrão recorrente: anúncios de grande envergadura política que, na prática, não se sustentam sem o lastro e a adesão da base.

“É comum venderem um tubarão e entregarem uma piaba”, resumiu um filiado, sob reserva, ao avaliar o descompasso entre o discurso da direção e a capacidade de diálogo interno.

Outro integrante foi ainda mais direto ao comentar os efeitos internos da decisão:

“Ele desmobilizou. E não conseguiu ser o seu próprio sobrenome, na verdade pensou apenas na primeira sílaba do seu nome”, disse, em tom crítico, sugerindo que a condução priorizou interesses individuais em detrimento do fortalecimento coletivo da legenda.

Nos próximos dias, a tendência é que a legenda enfrente pressões internas por esclarecimentos e, eventualmente, por uma reavaliação da estratégia adotada, especialmente em um contexto em que alianças são decisivas, mas a legitimidade interna continua sendo um ativo indispensável.

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