PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Passado financeiro da rua Gama e Melo

Sérgio Botelho – Houve tempo em que a rua Gama e Melo, que fica entre a Praça Antônio Rabelo e a avenida Barão do Triunfo, no Varadouro, chegou a ser o principal endereço financeiro da capital paraibana. O status se fortalecia ainda mais pela proximidade da rua Maciel Pinheiro, sua paralela imediata, conhecida pela intensa atividade comercial.
Na Gama e Melo, funcionava a Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba e as mais representativas agências bancárias da cidade: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal e Banco do Estado da Paraíba — sendo que os três primeiros ainda mantêm atividade na área. Além disso, havia o escritório do industrial e dono de engenho, Renato Ribeiro Coutinho.
Lembrando que o setor agropecuário representava a principal expressão econômica do estado. De frente para a Gama e Melo, na rua Barão do Triunfo, localizava-se o Banco do Povo. A rua homenageia Antônio Alfredo da Gama e Melo (1829-1908), natural da cidade da Parahyba (atual João Pessoa), patrono da Cadeira 17 da Academia Paraibana de Letras. Professor e diretor do Lyceu Paraibano, Gama e Melo teve papel marcante na política.
Nos primeiros anos da República, amigo de Floriano Peixoto, foi presidente da Paraíba (1896-1900). Antes disso, durante o Império, atuou como deputado provincial (1878-1880) pelo Partido Liberal e foi diversas vezes nomeado vice-presidente da província, chegando a assumir interinamente a presidência da Paraíba em mais de uma ocasião, conforme registros do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV).
Em 1903, eleito pelo Partido Republicano da Paraíba, passou a ocupar uma cadeira no Senado Federal, onde permaneceu até sua morte, em 1908. No campo jornalístico, colaborou com o Jornal do Comércio, no Rio de Janeiro, e fundou o periódico A República, na Paraíba.
Sérgio Botelho – Jornalista e escritor



