COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Cônego Mathias Freire

Sérgio Botelho – Há um padre (o único), conhecido perante a história como Cônego Mathias Freire, entre os fundadores da Academia Paraibana de Letras. Por sinal, Mathias Freire não foi apenas um dos fundadores, como figurou entre os mais destacados entre eles, na tarefa de criação da APL, uma vez que foi o autor da insígnia da instituição, representada pelo desenho de um sol, simbolizando a inteligência e o talento dos que integram, segundo explica a própria Academia, e do lema “Docus et Opus”, expressão latina que significa Estética e Trabalho.

Mas não ficou nisso a contribuição do Cônego Mathias Freire, que chegou à Vice-Presidência da entidade. Após ficar dois meses funcionando no prédio da Biblioteca Pública, os acadêmicos passaram um bom tempo sem pouso certo, realizando reuniões em suas próprias residências, e a primeira a servir à essa finalidade foi a de Mathias Freire. Em 1947, o então prefeito Abelardo Jurema doou uma casa na Visconde de Pelotas, acabando com a peregrinação.

Nascido em Mamanguape em 21 de agosto de 1882, Mathias Freire foi também político, chegando a presidir a Assembleia Legislativa da Paraíba durante o governo do seu conterrâneo, Castro Pinto. Voltou a ser eleito deputado estadual, apoiou a Revolução de 1930, e, naquele ano, após a morte de João Pessoa, foi ele quem leu, na Assembleia, o manifesto que abriu caminho para mudar o nome da capital de Parahyba para João Pessoa. Entre 1934 e 1937 foi deputado federal pela Paraíba.

Ainda jovem, assumiu a paróquia de Guarabira e logo se tornou figura destacada pela fala espirituosa e pela postura moderna. Na imprensa assinou com vários pseudônimos, como Mário Dalva, Dasilva Campos e Gil Mac Dada, e colaborou em jornais como A União, A Imprensa e Correio da Manhã, segundo o “Pequeno Dicionário dos Escritores/Jornalistas da Paraíba do Século XIX: de Antonio da Fonseca a Assis Chateaubriand”, organizado por Socorro de Fátima Pacífico Barbosa, no acervo online do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB. Entre 1931 e 1933 publicou, na imprensa, as irônicas “Cartas Aerolíticas”, combinando humor e análise política.

Professor de Geografia do Liceu Paraibano, poliglota, entusiasta de causas sociais deixou a marca de um sacerdote que enxergava fé e cultura como caminhos inseparáveis para o progresso. Faleceu em 30 de março de 1947, em João Pessoa, tendo o discurso fúnebre, no Cemitério Senhor da Boa Sentença, sido feito pelo acadêmico Celso Mariz.

Sérgio Botelho  – Jornalista e escritor

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