COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Baía da Traição

Frame: vídeo Câmara Municipal de João Pessoa

Sérgio Botelho – Belezas e tormentos à parte, até hoje é um mistério a origem do nome Baía da Traição. Acajutibiró, que referencia a abundância de caju na região, era como os indígenas a nomeavam. Já os portugueses passaram a chamá-la de Baía da Traição, possivelmente em virtude de um episódio sangrento ali ocorrido durante a passagem da frota de Américo Vespúcio ou Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos ou André Gonçalves ou desse povo todo junto (1501), quando índias supostamente atraíram marinheiros à terra e os mataram diante dos que permaneciam nos navios, que não hesitaram em aproveitar a oportunidade para zarpar.

Ao fim e ao cabo, terminaram descobrindo a Baía da Guanabara e o pau-brasil, que nomeou o país. Foi a primeira expedição exploratória portuguesa, ao Brasil, após o descobrimento, em 1500. Desde então, o território de Baía da Traição ou Acajutibiró passou a ser motivo de cobiça dos europeus, destacadamente os próprios portugueses, os franceses e os holandeses. Todos eles pisaram e até conviveram por espaços de tempo consideráveis com os nativos potiguaras: os franceses, explorando o pau-brasil, por conta de sua utilidade, não apenas como madeira, mas também pela produção de um corante vermelho muito apreciado na Europa; os portugueses, também por isso, mas principalmente com o objetivo de ocupar as terras que descobriram e explorá-la convenientemente; e os holandeses, basicamente interessados na produção de açúcar e sua comercialização na Europa.

No decorrer do tempo, a localização geográfica da Baía da Traição, com sua enseada protegida e acesso ao oceano Atlântico, conferiu-lhe relevância estratégica, sendo utilizada para defesa e controle territorial pelos europeus. Hoje, além da importância histórica e cultural, na condição de berço dos potiguaras e de uma das primeiras terras pisadas por europeus, nas Américas, a Baía da Traição se destaca por suas belezas naturais, como praias, rios e manguezais, que são atrativos turísticos importantes para a economia local. Mas é, sobretudo, território que carrega a memória da ocupação europeia e da resistência indígena, além de ser um espaço de preservação ambiental.

 

Sérgio Botelho  – Jornalista e escritor

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo