PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – A loja As Nações Unidas

Sérgio Botelho – Quem passa na região do antigo Ponto de Cem Reis, avista dois prédios em processo de reforma: o da antiga loja As Nações Unidas e o que serviu ao Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado (Ipase).
No texto de hoje, aproveito para falar sobre o da loja (em destaque na foto), na esquina da rua Padre Meira, inaugurado em setembro de 1958 pela Tecidos Cardoso S/A, conforme A União, edição de 25 de setembro do referido ano.
Naquele momento, a construção era vista como “excelente contribuição ao progresso urbanístico da cidade”. João Pessoa continuava buscando marcas de modernidade, em pedra e cal.
O edifício, inspirado no que ainda hoje serve de endereço à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA), efetivamente compôs um conjunto de outras iniciativas semelhantes.
Especializada na venda de tecidos, a loja acabou sendo um referencial no comércio da cidade. Mais do que isso, durante bom tempo, virou um programa de domingo, tão próxima que era dos cines Plaza e Rex, por conta de suas vitrines.
Numa época em que a televisão não existia em João Pessoa, e os cinemas dominavam a programação de domingo, as fachadas envidraçadas de As Nações Unidas convertiam-se em atração para as famílias, antes ou depois dos filmes.
Para se fazerem atraentes, aqueles espaços de exposição eram ornamentados com o maior capricho nos fins de semana, em uma João Pessoa que ainda apresentava poucos espaços de consumo com esse padrão.
Havia, ainda, a possibilidade de um lanche rápido no Ponto Chic, um pavilhão do Ponto de Cem Reis no limite com a Duque de Caxias, onde faziam sucesso a cartola, o cachorro-quente e o caldo de cana.
O ritmo da cidade era outro, e as preferências mais simples.
Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

