
A música brasileira perdeu, na manhã deste sábado (20), um de seus nomes mais emblemáticos e controversos. Lindomar Castilho, cantor e compositor que dominou as paradas de sucesso nas décadas de 1960 e 1970, faleceu aos 85 anos.
O artista, que vivia de forma discreta nos últimos anos, foi encontrado sem vida em sua residência. A causa exata da morte ainda não foi detalhada pela família, mas informações preliminares indicam causas naturais decorrentes da idade avançada.
O auge do sucesso
Nascido em Rio Verde, Goiás, em 1939, Lindomar Castilho tornou-se um fenômeno de vendas com seu estilo romântico e voz potente. Ele ficou conhecido como o “Rei do Bolero”, acumulando sucessos que se tornaram clássicos do cancioneiro popular, como:
- “Você é Doida Demais” (que ganhou nova vida anos depois como tema de abertura da série Os Normais);
- “Eu Amo a Sua Mãe”;
- “Cama Vazia”.
Sua música rompeu barreiras geográficas, fazendo de Castilho um dos artistas brasileiros mais conhecidos na América Latina durante o seu auge, chegando a gravar diversos álbuns em espanhol.
A tragédia que marcou a carreira
Apesar do imenso talento musical, a trajetória de Lindomar foi marcada por uma tragédia pessoal e jurídica em 1981. No auge do ciúme, o cantor assassinou sua ex-esposa, a também cantora Eliane de Grammont.
O crime chocou o país e tornou-se um marco na luta contra o feminicídio no Brasil, gerando protestos liderados por artistas e movimentos feministas. Lindomar foi condenado a 12 anos de prisão, cumprindo parte da pena antes de ser colocado em liberdade condicional em 1996.
O legado musical
Após deixar a prisão, o cantor tentou retomar a carreira, mas nunca recuperou o prestígio de outrora, vivendo um ostracismo voluntário. No entanto, sua obra musical permaneceu viva através de regravações e da memória afetiva de uma geração que cresceu ouvindo seus boleros e serestas.
A crítica musical o define como um intérprete de técnica apurada, capaz de transitar entre o brega e o romântico clássico com uma facilidade rara.
”Lindomar Castilho foi uma voz potente que definiu uma era da música romântica, embora sua história pessoal tenha se tornado inseparável da tragédia que interrompeu a vida de Eliane de Grammont.”
O sepultamento deve ocorrer em sua cidade natal, em cerimônia restrita aos familiares.



