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HILOMAR ARAÚJO

Crônicas de Sábado –  O banco que comprou o Brasil


O Banco Master nunca foi banco, foi um balcão onde se comprava de tudo: parecer técnico para título podre virar bom, contrato de consultoria para pagar ministro sem ser propina, filme para agradar político com delírio de herói e apartamento para senador.
Tudo começou no governo anterior. Em fevereiro de 2019 o Banco Central, ainda com Ilan Goldfajn, barrou a compra do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro por falta de origem do dinheiro e risco reputacional, mas oito meses depois, já no governo Bolsonaro com Roberto Campos Neto no BC, a mesma compra foi aprovada e ali o ovo da serpente começou a chocar.
De 2020 a 2024 o Master fez o que quis e cresceu de R$ 219 milhões para R$ 5 bilhões oferecendo CDB a 140% do CDI usando o FGC como isca, mesmo com denúncia no BC em 2023 e alerta por escrito da PF em 2024, que foram arquivados com um termozinho de compromisso.
Tudo foi detonado no governo atual, quando em 18 de novembro de 2025, já com Gabriel Galípolo no BC, veio a liquidação e a prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero com rombo de R$ 52 bilhões de Reais.
E aí apareceu a lista de sócios invisíveis: escritório da mulher de Alexandre de Moraes com R$ 129 milhões, Guido Mantega a R$ 1 milhão por mês, Flávio Bolsonaro negociando R$ 134 milhões para o filme do pai, Jaques Wagner com apartamento e R$ 3,5 milhões, além de Temer, ACM Neto e Ciro Nogueira com emenda para salvar o banco.
O Master faliu no governo Lula, mas foi gestado e alimentado no governo Bolsonaro, por isso hoje o STF briga entre si, não para saber quem é culpado, mas para saber quem vai enterrar o caso no supremo.

“Com o sigilo derrubado, mais
casas irão cair, é só esperar.”

Hilomar Araújo : .

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