PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Triste episódio na João Pessoa da década de 1940

Sérgio Botelho – Grande parte da área onde hoje se localizam a Comunidade São Rafael, o conjunto Castelo Branco e o Campus I da Universidade Federal da Paraíba compunha antigamente a Granja São Rafael.
Pertencente ao estado, funcionava como centro de pesquisas e difusão de técnicas agropecuárias, mas também de produção; embora o motivo do investimento governamental, no início da década de 1920, tenha sido o de fornecer lenha para alimentar as caldeiras do sistema de abastecimento hídrico da capital (Granja São Rafael: Uma fazenda estatal experimental no contexto de modernização agrícola da Paraíba (1922-1960), por Danilo Wilson Lemos Menezes e Lucicléa Teixeira Lins).
Faço um recorte nessa história da Granja São Rafael, que durou décadas e produziu bons efeitos na agropecuária paraibana, para registrar uma passagem com final triste, envolvendo o projeto.
Em setembro de 1938, no governo Argemiro de Figueiredo (1935-1940), que muito investiu na agricultura, famílias japonesas que viviam no Pará, experientes no assunto, foram atraídas para plantar hortaliças, na área da granja.
Vieram, foram bem recebidas e bem instaladas. Em poucos meses estavam produzindo e vendendo no Mercado de Tambiá, que ficava no terreno onde depois foi construído o hoje já não mais existente Cine Municipal.
Para azar dos japoneses, em 1939, estourou a II Guerra Mundial, conflagrando a Europa. Em 1941, o Japão aderiu ao Eixo, liderado pela Alemanha nazista, com participação da Itália fascista. Em 1942, na sequência dos Estados Unidos, o Brasil aderiu ao esforço internacional contra o Eixo.
Aí, sobrou para os japoneses que só queriam plantar, colher e vender hortaliças em João Pessoa. Expulsos das terras da Granja São Rafael, agora, no governo Rui Carneiro (1940-1945), o que plantaram caiu nas mãos de invasores. Uma experiência que tinha ingredientes razoáveis para influir positivamente na história da agricultura pessoense, murchou, ainda planta recém-brotada.

Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista.





