PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Ronco da Abelha ou Revolta dos Marimbondos
Sérgio Botelho* – Já no Século XVII, o segundo da história do Brasil, o açúcar nordestino começou a perder o valor que tinha até então no mercado internacional. Em contrapartida, o ouro passou a ter maior expressão na economia da colônia, favorecendo o Sudeste.
No Século XVIII, então, consumou-se o deslocamento do eixo econômico do Nordeste para o Sudeste, traduzido política e administrativamente na transferência da capital do país de Salvador para o Rio de Janeiro, local do porto por onde o ouro escoava para a Europa.
Somando-se a isso o crescimento em volume e importância da cultura do café, especialmente em São Paulo, nos anos 1800, virou gritante a diferença do progresso econômico e das atenções da Corte portuguesa, instalada no Rio, com relação a essas duas partes do Brasil.
Não surgiram do nada, portanto, as rebeliões de significativo apelo popular no Nordeste do Século XIX. O que emanava do poder central gerava desconfiança. Entre essas rebeliões, destacou-se o Ronco da Abelha, ou Revolta dos Marimbondos.
A história começou assim. Em 1851, o Império marcou um necessário censo demográfico junto com a expedição de certidões civis de nascimento, função que até ali era oficialmente papel da Igreja, por meio das paróquias, na hora do batismo.
Boatos de que havia furtivo interesse na escravização de pessoas livres, frente à proibição do tráfico de escravos pela Lei Eusébio de Queiroz (1850), fizeram o povo ir às ruas em cidades da Paraíba e de Pernambuco, principalmente. Mas também em outros estados do Nordeste.
Terminou a Coroa suspendendo os procedimentos. E a rebelião acabou vitoriosa no que pretendia. Dizem que era tanta gente em ruas e feiras que parecia enxames de abelhas ou de marimbondos, daí o apelido. Nem lideranças havia facilmente identificáveis, prejudicando a repressão.
*Sérgio Botelho, jornalista, escritor e memorialista, escreve diariamente textos, de apelo histórico, sobre a Paraíba, com veiculação nas redes sociais.

