COLUNASÉRGIO BOTELHO

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – A escrava Gertrudes Maria

A imagem é Capa do romance ‘A Preta Gertrudes’. Ilustração: Flávio Tavares

Sérgio Botelho – Como hoje é o dia oficial da abolição da escravatura no Brasil, aproveito para tocar num assunto que envolve a atual Praça Rio Branco. Trata-se da primeira praça com destinação cívica claramente definida na história da atual João Pessoa. Assim, recebeu o pelourinho, arquétipo do poder, que virou símbolo da violência escravista.
Há um velho casarão, que fica na esquina da praça com a rua Braz Florentino, em processo de revitalização para abrigar o Museu da Diáspora Negra, dos Povos Originários e Comunidades Tradicionais da Paraíba. A ideia é mudar o nome da praça para Gertrudes Maria.
Sobre a homenageada, há pelo menos dois livros: o romance histórico-jurídico “A Preta Gertrudes”, do desembargador e escritor Marcos Cavalcanti de Albuquerque, e “Gente negra na Paraíba oitocentista: população, família e parentesco espiritual”, de Solange Pereira da Rocha. Existe ainda uma adaptação para o teatro intitulada “O Julgamento da Preta Gertrudes”.
Em 2025, o Museu do Poder Judiciário da Paraíba incluiu imagem de Gertrudes na exposição virtual “Escravidão, Liberdade e Resistência: Memórias da Justiça Brasileira”, organizada pela rede Memojus Brasil.
A história conta que na Paraíba do século XIX, uma mulher negra foi à Justiça para dizer que não era mercadoria disponível para pagar dívida alheia. Afinal, ela já havia comprado metade de sua alforria. Apesar disso, credores de seu proprietário queriam que ela fosse vendida para pagamento de dívida. Com um tabuleiro, comercializava pelas ruas da cidade da Parahyba para criar seus filhos e comprar a outra metade. Por mais de uma década ela corajosamente enfrentou a luta, mas não há notícia do desfecho do processo.
Defensora da mudança do nome da praça para Gertrudes Maria, a presidente da Comissão do Centro Histórico, a jornalista Afra Soares, informa que o assunto não avançou, mas que a justa peleja continua.
Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista.

 

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