PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – Catharina Moura

Sérgio Botelho – No texto de ontem falamos sobre a exemplar história da professora Francisca Moura. Hoje vamos falar sobre sua filha, Catharina Moura, de vida intelectual também inspiradora.
Catharina nasceu na cidade da Parahyba, atual João Pessoa, em 20 de dezembro de 1882. O pai, Misael Augusto do Rego Moura, ela perdeu antes de completar 2 anos de idade.
Depois de se formar normalista e fazer os preparatórios no Lyceu Paraibano, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, terminando como única mulher entre os 48 formandos de sua turma e a primeira paraibana a concluir curso superior.
Sua presença pública na cidade ganhou destaque em 1913, no contexto da Universidade Popular da Parahyba, experiência estimulada no governo de João Pereira Castro Pinto, no período entre 1912 e 1915.
Com o objetivo de levar a ideia ao público, foram organizadas conferências no Teatro Santa Roza, tratando de temas de interesse geral. Entre médicos, juristas, professores e homens de letras, havia Catharina Moura.
Então, no dia 30 de março de 1913, ela proferiu a conferência “Os Direitos da Mulher”. O texto foi publicado integralmente por A União, virando uma das manifestações mais antigas e consistentes do pensamento feminista na Paraíba.
Ainda que cautelosamente, Catharina tratou da educação limitada imposta às mulheres, da desigualdade de oportunidades, do direito ao trabalho e da participação feminina na vida pública. Uma ousadia para a época.
O livro Catharina Moura e o feminismo na Parahyba do Norte, dos professores Charliton José dos Santos Machado, Maria Lúcia da Silva Nunes e Márcia Cristiane Ferreira Mendes, perpetua a memória de Catharina.
Registre-se ainda decisão da Câmara Municipal de João Pessoa nomeando escola na capital como Catharina Moura Amstein, sobrenome que compõe outra parte de sua história, com episódios no Piauí.
Catharina faleceu em 6 de abril de 1955, no Rio de Janeiro.
Sérgio Botelho é jornalista, escritor e memorialista

