PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – O Teatro Santa Roza

Sérgio Botelho – Duas décadas após a construção do prédio do Tesouro Provincial, no espaço do velho Campo do Conselheiro Diogo Velho (hoje praças Pedro Américo e Aristides Lobo), foi entregue à população da cidade da Parahyba (atual João Pessoa) o Teatro Santa Roza.
A grafia com “z” homenageia o último presidente da Província, no período imperial, o gaúcho Francisco da Gama Roza, responsável pela conclusão e inauguração do teatro. O evento ocorreu em 3 de novembro de 1889, a 12 dias do golpe que derrubou e mandou Dom Pedro II e a família real para o exílio. Contudo, teve sua construção iniciada em 1852.
A fachada e a composição geral do prédio reproduzem elementos típicos das casas de espetáculo oitocentistas, enquanto o interior se notabiliza pelo uso de madeira nobre, especialmente o pinho de riga nos camarotes e revestimentos. Os registros patrimoniais o definem como obra de feição neoclássica, com influência do barroco italiano.
O prédio atravessou mudanças políticas, sociais e artísticas, tornando-se palco de temporadas teatrais, apresentações musicais, dança, recitais e até sessões de cinema nos primeiros anos do século XX.
Ao assumir o primeiro governo republicano na Paraíba, Venâncio Neiva mudou o nome do local para “Teatro do Estado”, ato posteriormente revogado, segundo informações oficiais da Fundação Espaço Cultural, que administra o teatro.
O presidente João Pessoa, que governou a Paraíba entre 1928 e 1930, quis alterar a sua localização por considerar aquela área marginalizada. No entanto, ele não conseguiu terminar seu período de governo, que seria concluído em 1932, já que assassinado antes.
Hoje, o prédio é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (IPHAEP). Valorizado pela população pessoense, o Teatro Santa Roza se constitui em referência duradoura na paisagem urbana da cidade.
Sérgio Botelho é jornalista e escritor


