PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS – O Quartel de Primeira Linha

Sérgio Botelho – Entre os prédios que moldaram a cidade da Parahyba (atual João Pessoa) na transição urbana entre o Varadouro e a parte alta da cidade, via antigo Campo do Conselheiro Diogo Velho, o do Quartel de Primeira Linha se situa como obra inaugural.
Aliás, sua edificação antecede a própria denominação do Campo, já que Diogo Velho, o homenageado, nasceu em 1829, e o edifício a que nos reportamos foi construído no Brasil Colônia, na década de 1810.
Segundo o Memória João Pessoa, um projeto de Extensão vinculado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba, o terreno onde foi erguido o edifício pertencia à Irmandade do Senhor dos Martírios que, em troca da concessão, recebeu a área da Igreja do Bom Jesus, atual Igreja de Lourdes.
Os quarteis de primeira linha abrigavam as tropas mais profissionais do Exército, porque pagas e, portanto, regulares. Nessa conformidade, o prédio, que hoje abriga o I Batalhão da Polícia Militar da Paraíba, nasceu vocacionado às atividades militares.
Contudo, adquirido em 1903 pelo estado, ainda de acordo com o Memória João Pessoa, atendeu de forma parceira ao funcionamento de várias instituições de importância na vida da capital paraibana, ao longo da República.
São exemplos o Poder Legislativo, a Inspetoria de Higiene e o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, fundado em 1905, antes da sede definitiva na rua Barão do Abiahy. Mas também o 22º Batalhão de Caçadores, do Exército, que depois se passaria para o quartel de Cruz das Armas.
Em 5 de janeiro de 1910, ocupou parte do local a Escola de Aprendizes Artífices, embrião da futura Escola Técnica Federal da Paraíba, que funcionaria na atual avenida João da Mata.
No governo Antenor Navarro (1930-1932), o prédio ganhou mais um andar, quando viu transformadas suas linhas de referência neoclássica para Art Déco, conforme acentua o já referido Memória João Pessoa.
Eis um exemplo de construção plenamente utilizada durante toda a sua existência, até hoje.

Sérgio Botelho é jornalista e escritor.


