Abril Vermelho: Luiz Couto relembra massacre de Eldorado do Carajás e cobra compromisso do Parlamento com a Reforma Agrária

Em pronunciamento na tribuna da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (7), o deputado federal Luiz Couto (PT-PB) destacou o significado do Abril Vermelho e fez um apelo direto ao Parlamento brasileiro por mais compromisso com a Reforma Agrária e com os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do campo.
O deputado lembrou que o mês de abril é marcado pela memória e pela luta no campo, simbolizando resistência, denúncia e defesa da vida. Em 2026, completam-se 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, quando 21 trabalhadores rurais foram assassinados enquanto reivindicavam o direito de acesso à terra para viver e produzir.
Segundo Luiz Couto, o episódio não foi isolado, mas expressão de uma estrutura histórica de concentração fundiária, violência e exclusão social que ainda persiste no país.
Durante o discurso, o parlamentar alertou que, três décadas após o massacre, o Brasil ainda enfrenta problemas agrários. Ele destacou que o estado do Pará continua liderando os conflitos no campo, enquanto há expansão do agronegócio sobre terras públicas, territórios tradicionais e áreas em disputa.
Para Couto, a Reforma Agrária segue aquém das necessidades do povo brasileiro, dificultada por interesses que historicamente impedem a democratização do acesso à terra.
O deputado reconheceu que, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve retomada de políticas voltadas à agricultura familiar, como ampliação de assentamentos, reativação de crédito rural e assistência técnica. Mas, ressaltou que ainda tem muito o que avançar diante da dívida histórica com os trabalhadores e trabalhadoras do campo.
Luiz Couto enfatizou que o avanço da Reforma Agrária depende também da atuação do Congresso Nacional. Ele defendeu a aprovação de marcos legais que promovam a democratização do acesso à terra, além da garantia de orçamento para políticas públicas no campo.
“O Parlamento brasileiro não pode se omitir nem se submeter a interesses que perpetuam o latifúndio e a exclusão. É preciso assumir a responsabilidade histórica de construir um país mais justo”, afirmou.
O parlamentar defendeu um modelo de desenvolvimento no campo baseado na soberania alimentar, na preservação ambiental e no fortalecimento da agricultura familiar, com prioridade para a democratização da terra.
Ao encerrar, Luiz Couto homenageou os trabalhadores mortos em Eldorado do Carajás e reforçou que a luta pela terra segue atual e necessária. “A terra deve pertencer a quem nela trabalha, a quem dela cuida e a quem dela tira o sustento com dignidade”, declarou.



