colunaRui Leitão

Memórias de um Tempo sem Urgências

A geração atual deve ficar se perguntando como conseguíamos viver sem o celular, a internet, a TV a cabo com centenas de canais, sem o computador, o caixa eletrônico bancário ou o cartão de crédito. Para quem usufrui de toda essa praticidade do mundo moderno, parece quase impossível imaginar como era nossa vida tempos atrás.

Hoje sentimos dificuldades para tocar a rotina sem essas novidades tecnológicas. Ficamos mal acostumados — ou seria mais correto dizer bem acostumados? Tornamo-nos dependentes de tudo aquilo que facilita as ações do cotidiano.

Quando não havia celular, a comunicação telefônica dependia de aparelhos fixos, que não eram baratos. Nem todo mundo podia ter uma linha particular. Sem internet, não havia como acompanhar o que acontecia no mundo em tempo real; as notícias sempre chegavam com atraso. A televisão em preto e branco, também artigo de luxo durante um bom período, sintonizava apenas dois ou três canais.

O computador nos libertou da máquina de datilografia, tornando a comunicação escrita mais rápida e eficiente. Não precisamos mais consultar as antigas enciclopédias Barsa ou Delta Larousse para nos aprofundar em algum tema desconhecido. Substituímos as cartas pela interação virtual e os arquivos de papel pela memória digital.

Nossa vida financeira exigia idas presenciais a uma agência bancária para retirar ou depositar dinheiro. Nem se imaginava a existência de caixas eletrônicos ou cartões magnéticos. Enfrentávamos longas filas, além de aguardar o tempo necessário para que o funcionário examinasse uma ficha de conta corrente e conferisse a autenticidade da nossa assinatura registrada em um cartão de autógrafo.

Se quiséssemos comer algo pronto, só havia um meio de aquecer: o fogão. O micro-ondas ainda não existia. E ficávamos ansiosos para receber fotografias tiradas em momentos especiais, pois a revelação levava dias. Nem polaróides, nem celulares com câmeras instantâneas estavam ao nosso alcance.
São apenas alguns exemplos. Mas, apesar de todas essas limitações, éramos felizes. E, em contrapartida, podíamos caminhar tranquilamente pelas ruas, a qualquer hora do dia.

Rui Leitão

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