Câmara de São José de Piranhas aprova 13º para prefeito e secretários enquanto professores seguem ignorados
Na prática, isso cria um passivo financeiro imediato em favor do alto escalão do Executivo municipal.

Na Sessão Ordinária desta terça-feira, 25 de novembro de 2025, a Câmara Municipal de São José de Piranhas aprovou, por sete votos a favor e uma abstenção, o Projeto de Lei nº 35/2025, que institui o 13º subsídio para o prefeito, o vice-prefeito e os secretários municipais. Dois parlamentares estiveram ausentes: Dr. Ricardo Cavalcanti e Eugênio Cavalcanti.
O texto aprovado determina que os agentes políticos passam a receber o benefício anualmente em dezembro, com possibilidade de pagamento em duas parcelas, e, detalhe que chamou atenção, com efeitos retroativos desde 1º de janeiro de 2023. Na prática, isso cria um passivo financeiro imediato em favor do alto escalão do Executivo municipal.
A decisão reacendeu críticas e desconforto entre servidores da educação, que há meses reivindicam reconhecimento e melhores condições. Professores relatam que continuam “batendo na porta” da gestão municipal por um 14º salário, abonos ou medidas que aliviem a sobrecarga da categoria, sem retorno concreto. Enquanto isso, o Legislativo se mobiliza com rapidez e precisão cirúrgica para atender interesses do topo da administração.
A aprovação do PL expõe uma prioridade clara da Casa: beneficiar quem já ocupa os cargos mais bem remunerados da máquina pública, enquanto profissionais essenciais, como os da educação, permanecem em segundo plano. Para muitos servidores, a mensagem transmitida é inequívoca: a valorização do magistério não está no centro do debate, embora discursos oficiais frequentemente exaltam a “importância da educação”.
A abstenção de um parlamentar e a ausência de dois reforçaram a sensação de distanciamento entre o plenário e as demandas reais da população. A impressão deixada é a de um Parlamento disposto a agir com rapidez quando o interesse é próprio, e com silêncio quando o assunto é a valorização de quem sustenta o funcionamento básico do município.
A decisão ainda deve repercutir nos próximos dias, especialmente entre sindicatos e movimentos da educação, que veem no episódio mais um capítulo do crescente distanciamento entre políticas públicas e as necessidades da rede municipal de ensino.
Fonte: Espião do Sertão



