O GOLPISTA HEREDITÁRIO
O general João Batista Figueiredo, último presidente da ditadura militar (1979-1985), pediu ao povo brasileiro que o esquecesse. Gostaríamos de atender a esse pedido, mas seu neto, Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, insiste em nos lembrar desse período sombrio.
Apresentando-se como herdeiro do “legado” do avô, Paulo Figueiredo acumula um histórico de envolvimento em práticas criminosas. Foi preso na Operação Circus Maximus (2019), acusado de integrar esquema de propinas ligado ao BRB quando administrava o LSH Hotel, no Rio. Vive hoje nos Estados Unidos, foragido da Justiça brasileira.
Mais recentemente, associou-se a Eduardo Bolsonaro em articulações contra o próprio Brasil. Participou da celebração do tarifaço de 50% sobre importações brasileiras anunciado por Donald Trump, admitindo reuniões em Washington para pressionar contra o governo e contra ministros do Supremo. Atos que configuram verdadeiro crime de lesa-pátria.
Ao reivindicar a herança do avô, Paulo nos faz lembrar o que significou o governo Figueiredo: fracasso econômico, frases autoritárias e a perpetuação da ditadura. Embora tenha conduzido a transição para a democracia com a Lei da Anistia, sua marca foi a truculência e o desprezo pelo povo.
Seguindo essa trilha, o neto tornou-se um golpista hereditário, servindo como porta-voz midiático das tentativas de ruptura institucional. Está entre os 37 indiciados pela Polícia Federal por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa.
Rui Leitão
