colunaRui Leitão

A HORA DE REPETIR: GO HOME YANKEE

Nos anos 1960, a juventude brasileira ocupava as ruas aos gritos de “Go home, Yankee!”, denunciando a interferência dos Estados Unidos nos destinos da América Latina. Eu estava no meio dessa afirmação de soberania nacional e de repúdio à dominação econômica, política e cultural de um país que sempre pretendeu ser tutor do mundo. Eram vozes firmes que se manifestavam contra a intervenção norte-americana — não apenas ideológica, mas também logística e financeira.

O “Go home, Yankee!” era a tradução da recusa em aceitar que o nosso futuro fosse decidido a milhares de quilômetros de distância, em gabinetes de Washington. Éramos motivados por ideais fundamentados no senso de justiça e independência. Sabíamos que a liberdade e a soberania são conquistas que precisam ser defendidas. Pergunto-me: a consciência crítica da juventude mudou? Qual a razão do desinteresse ou da falta de engajamento nas questões sociais e políticas contemporâneas? Não consigo compreender, nem aceitar, que boa parte dos jovens hoje adote uma postura de alienação política.

O momento é oportuno para que esse grito de independência volte a ecoar, rechaçando de forma efetiva as bravatas do imperialismo ianque. Aproveitemos que os vendilhões da extrema direita brasileira nos ofereceram, “de bandeja”, a bandeira da defesa de nossa soberania nacional. Essas lideranças, desorientadas em razão da própria postura intervencionista de Trump — que elas mesmas provocaram — vivem hoje um isolamento político que pode e deve ser transformado numa derrota de longo prazo.

Como aceitar passivamente declarações como a do Secretário de Defesa, Pete Hegseth: “Vamos retomar nosso quintal”, em referência às Américas? O protagonismo da juventude precisa repetir o que aconteceu na época da ditadura militar, quando sua mobilização provocou a ida da sociedade às ruas, em busca de construir alternativas com as próprias mãos. As mobilizações contra Trump e contra a extrema direita brasileira são necessárias para que o Brasil não se torne refém do imperialismo norte-americano.

Essas chantagens sistemáticas dos Estados Unidos, buscando interferir diretamente na conjuntura política brasileira, encontram apoio ativo nas classes dominantes, mais interessadas em manter as condições de exploração impostas às classes oprimidas. Vejo com preocupação alguns brasileiros defendendo a rendição às exigências de Trump, chegando ao cúmulo de admitir que somos um “quintal” dos EUA. É lamentável assistir a parlamentares, nas mesas das principais casas do Congresso Nacional, desfraldarem a bandeira norte-americana e defenderem abertamente as diatribes de Trump — e ainda assim se autoproclamarem patriotas.

É hora de retomar o grito de “Go home, Yankee!”. Que a juventude volte a entrar em cena, ao lado das organizações sociais. Essa deve ser uma luta suprapartidária e unitária. Precisamos nos proteger das ambições daquele que se acha “imperador do mundo” e que tenta roubar nossas riquezas. Somos o maior produtor de alimentos do planeta, temos a maior reserva de ferro, de água doce e de nióbio — elemento estratégico para a indústria de informática —, o que desperta a cobiça estrangeira.

O Brasil pertence ao povo brasileiro. Vamos, unidos, defender a nossa soberania. GO HOME, YANKEE.

Rui Leitão

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