A ESCRITA É TERRITORIO DE MEMÓRIA, EMOÇÃO E SENTIDO
Ao escrever, tenho como princípio maior a busca por uma linguagem acessível, que alcance o leitor comum, independentemente de seu grau de instrução formal. Não cultivo a pretensão de ser lido apenas por intelectuais ou especialistas. Ao contrário, empenho-me em estabelecer uma comunicação clara, fluida e sincera, que priorize o entendimento e a conexão emocional. Não me permito ficar refém de regras rígidas ou da obsessão pela frase perfeita. Valorizo a liberdade do pensamento, o fluxo da consciência e o exercício genuíno da expressão pessoal.
Minha escrita nasce do impulso de compartilhar sentimentos, inquietações e convicções que, muitas vezes, amadurecem no silêncio e ganham forma nas palavras. Não almejo consensos. Compreendo que a divergência é saudável e necessária. Por isso, acolho críticas com serenidade, pois reconheço que muitas delas têm o poder de provocar revisões, de abrir novas possibilidades interpretativas e até de reformular crenças antes firmemente defendidas. Como disse Guimarães Rosa: “Eu não sei nada, mas desconfio de muita coisa.”
Escrevo para dividir com o leitor meu olhar sobre o mundo, com o desejo de estimular reflexões. O texto, para mim, é um espaço de revelação das verdades que a vida me permite descobrir. Não me submeto à exigência de estruturar um pensamento completo ou definitivo antes de começar a escrever. Escolho o tema a partir de perguntas que me inquietam, e deixo que o raciocínio se desenvolva naturalmente, guiado pela intuição e pela sensibilidade. Procuro evitar o rebuscamento, excluindo propositalmente palavras complexas e construções que possam dificultar a compreensão. Escrevo, repito, não para agradar a uma elite letrada, mas para dialogar com todos os que se disponham a me ler.
O hábito da escrita foi se consolidando em minha vida como uma prática diária, quase compulsiva. Sinto-me movido por um impulso interior que recusa o silêncio. Ao expressar meus pensamentos, intento também ser porta-voz daqueles que, por várias razões — falta de oportunidade, repressão, medo ou acomodação —, não conseguem se manifestar. Esse compromisso, que assumi de forma espontânea, compreendo como um dever ético: não silenciar diante da injustiça ou da opressão.
A escrita, para mim, é território de memória, emoção e sentido. É por isso que cuido em manter a coerência entre o que penso, sinto e escrevo. Essa coerência é, a meu ver, um elemento essencial para preservar a credibilidade e a honestidade intelectual. Acredito que o texto literário guarda, inevitavelmente, traços do caráter e da personalidade de quem o escreve. Por isso, sigo fiel ao estilo que escolhi para minha expressão — um estilo simples, direto, mas carregado de autenticidade. Assim espero corresponder, não apenas às minhas expectativas íntimas, mas também à generosidade do leitor que me concede sua atenção e compartilha comigo o universo das ideias.
RUI LEITÃO

