PARAÍBA

Realidade virtual torna sessões de fisioterapia mais humanizadas para pacientes em hemodiálise no Hospital São Vicente

PROPAGANDA

Projeto desenvolvido em parceria com o Uniesp utiliza óculos de realidade virtual para estimular exercícios físicos, promover relaxamento e tornar o tratamento mais acolhedor.

Transformar o período da hemodiálise em uma experiência mais leve, interativa e acolhedora é a proposta de um projeto de fisioterapia desenvolvido no Hospital São Vicente de Paulo, em João Pessoa, em parceria com o Centro Universitário Uniesp. A iniciativa utiliza óculos de realidade virtual para estimular exercícios físicos e respiratórios, aliando reabilitação e humanização da assistência.
A proposta é voltada a pacientes com doença renal crônica que precisam realizar hemodiálise regularmente, muitas vezes três vezes por semana e por longos períodos da vida. Segundo a fisioterapeuta e professora de Fisioterapia do Uniesp, Gimena Gonçalves Ferreira, o tratamento pode provocar cansaço e dificultar a adesão aos exercícios físicos.
“A proposta da realidade virtual é levar o paciente a um ambiente diferente daquele em que ele está, permitindo que faça os exercícios de forma lúdica e prazerosa. Podemos projetar uma caminhada na praia, em uma floresta ou até em um país que ele nunca visitou. É uma forma de tornar a atividade física mais atrativa”, explica.
*Exercícios com segurança e acompanhamento*
O projeto utiliza a realidade virtual como recurso complementar à reabilitação intradialítica, realizada durante a sessão de hemodiálise. A atividade inclui avaliação fisioterapêutica, verificação dos sinais vitais e análise das condições clínicas antes do início dos exercícios.
A sessão contempla aquecimento, exercícios resistidos para fortalecimento muscular e uma etapa de relaxamento com exercícios respiratórios. Todo o atendimento é adaptado às condições de cada paciente, respeitando suas limitações e os critérios de segurança.
“Alguns pacientes sentem dor, têm receio de se movimentar ou ficam inseguros por causa da fístula. Por isso, os exercícios são planejados para preservar o membro em que ela está localizada, sem movimentá-lo durante as atividades propostas”, destaca Gimena.
O atendimento completo pode durar cerca de uma hora, considerando a avaliação inicial, os exercícios e a verificação posterior da percepção e da satisfação do paciente com a experiência.
*Estudos apontam benefícios da realidade virtual*
A utilização da realidade virtual como recurso complementar à reabilitação de pacientes em hemodiálise já é investigada pela ciência. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2023 na revista Applied Psychology: Health and Well-Being identificou benefícios dos exercícios com realidade virtual em indicadores da função física e da qualidade de vida de adultos submetidos ao tratamento.
*Inovação e humanização no cuidado*
Além de estimular o movimento e o fortalecimento muscular, a realidade virtual proporciona uma experiência imersiva que pode contribuir para o bem-estar emocional e tornar a rotina do tratamento menos monótona. A proposta também busca favorecer aspectos psicomotores e a qualidade de vida.
A iniciativa conta com a participação de estudantes do curso de Fisioterapia do Uniesp, que acompanham as atividades no hospital às sextas-feiras, conforme a organização acadêmica. A experiência aproxima os futuros profissionais da prática clínica e reforça a importância do atendimento humanizado.
“Todo profissional de saúde deve buscar um atendimento humanizado, independentemente da área ou do setor. Precisamos ter empatia, nos colocar no lugar do paciente e procurar oferecer mais conforto e qualidade de vida”, afirma Gimena.
Para a professora, a parceria entre o Uniesp e o Hospital São Vicente de Paulo beneficia tanto os pacientes quanto os estudantes, que têm a oportunidade de vivenciar uma assistência centrada nas necessidades.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo