Projeto do ex-deputado federal Frei Anastácio é aprovado no Senado e torna Manoel Mattos Herói da Pátria
A Comissão de Educação e Cultura do Senado aprovou projeto (PL 3.868/2019) de Frei Anastácio (PT-PB) que inscreve o nome do advogado e defensor dos direitos humanos Manoel Bezerra de Mattos Neto no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O então vice-presidente do diretório estadual do PT em Pernambuco foi morto a tiros em janeiro de 2009 em Pitimbu, na Paraíba. A proposta agora segue para sanção do presidente Lula.
Nas redes sociais, a filha de Manoel Mattos, Manuella Mattos, agradeceu Frei Anastácio pela propositura e afirmou que a inscrição do nome do seu pai no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria é um marco histórico. “Esse feito é fruto do esforço coletivo de pessoas comprometidas com a verdade e com a memória: agradecemos profundamente ao então deputado federal Frei Anastácio, idealizador do projeto. Seguimos firmes, mantendo viva a história de um homem que dedicou sua vida a proteger os que mais precisavam e a enfrentar as injustiças com coragem”, escreveu.
Frei Anastácio comentou que recebeu com imensa alegria a notícia da aprovação do projeto no Senado. “Essa é uma vitória da memória, da justiça e da democracia. É também um reconhecimento à luta de tantos que, como Manoel, se levantam contra o autoritarismo e a violência. Estou profundamente honrado por contribuir para eternizar o nome de um verdadeiro herói brasileiro. Que esse marco sirva de inspiração para todos nós continuarmos a construir um país mais justo e fraterno”, disse.
Com a aprovação, Manoel Mattos passa a figurar ao lado de nomes como Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Anita Garibaldi, Chico Mendes, Luís Gama, Esperança Garcia, entre outras personalidades que marcaram a história do Brasil.
Quem foi Manoel Mattos
Manoel Bezerra de Mattos Neto foi um advogado e ativista de Direitos Humanos, conhecido por sua atuação corajosa no combate a grupos de extermínio que atuavam na divisa entre a Paraíba e Pernambuco. Ele também foi vereador e presidente do PT no município de Itambé (PE). Manoel denunciava milícias formadas por policiais envolvidos em execuções e extorsões, o que lhe rendeu diversas ameaças de morte. Em 24 de janeiro de 2009, foi assassinado na cidade de Pitimbu (PB), em um crime que gerou forte comoção nacional e mobilização de entidades de Direitos Humanos.
Seu assassinato foi um marco na luta contra a impunidade no Brasil e o caso foi o primeiro a ser federalizado no país, para garantir imparcialidade na investigação e julgamento. Sua trajetória passou a simbolizar a defesa dos Direitos Humanos e a resistência contra o poder paralelo das milícias



