POLICIAL

Jovem presa injustamente, por seis anos, morre de câncer dois meses após absolvição

Reprodução

Uma história marcada por dor, injustiça e descaso do Estado chegou ao fim de forma trágica. Damaris Vitória Kremer da Rosa, de 26 anos, morreu em 26 de outubro de 2025, apenas dois meses após ser absolvida pelo júri popular. A jovem, que passou quase seis anos presa injustamente no Rio Grande do Sul, lutava contra um câncer no colo do útero diagnosticado enquanto estava na prisão.

Durante o período em que esteve encarcerada, Damaris fez diversos pedidos de liberdade por motivo de saúde, mas teve as solicitações negadas pela Justiça. Os laudos médicos apresentados foram colocados em dúvida pelas autoridades, o que atrasou o início do tratamento adequado. Somente em março de 2025, quando a doença já se encontrava em estágio avançado, ela obteve o direito de cumprir prisão domiciliar — ainda assim, com tornozeleira eletrônica.

Em agosto, o júri popular reconheceu sua inocência, absolvendo-a das acusações de envolvimento em um assassinato que ela nunca cometeu. A decisão representou o fim de um longo e doloroso processo judicial, mas a liberdade chegou tarde demais. Damaris faleceu 74 dias depois, em casa, ao lado da mãe, em Santa Catarina.

O corpo da jovem foi sepultado na última segunda-feira (27) no Cemitério Municipal de Araranguá (SC). A comoção foi grande entre familiares, amigos e moradores da região, que destacaram sua força e a injustiça que marcou seus últimos anos de vida.

O caso reacende o debate sobre as falhas do sistema de Justiça e a precariedade do atendimento médico dentro do sistema prisional brasileiro. Especialistas e entidades de direitos humanos questionam a responsabilidade do Estado diante das consequências de decisões judiciais que negaram a Damaris o direito básico à vida e à dignidade.

> “Ela foi vítima duas vezes: primeiro de uma acusação injusta, depois da negligência de um sistema que deveria protegê-la”, afirmou um advogado de direitos humanos ouvido pela reportagem.

A morte de Damaris Vitória Kremer da Rosa é um símbolo doloroso das consequências da morosidade judicial e da falta de sensibilidade diante de casos que exigem humanidade e justiça.
Foto: Redes Sociais

Por Acontecimentos Zona Norte

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo